segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Desdobre


Correm longos, longos fatos...
E uma pena escreve pobre,
Riem, cospem, sentem aos tatos
De pena digna, a vida nobre.

Simples vistas, meus olhos cobrem,
Plantas belas, canto o belo, o sol, ou ratos...
Imperfeições não há que me dobrem,
Deslumbro-me em verdes matos...

Raios, rios, represas, o mar...
Nuvens, íris, pele, beijos...
Ah, o cuidar...

Que pena nobre vida,
Desprezo alegria comprada
O “tal” dela, esquecida...
Se não-simples, enganada.

Mas ainda que adquirida,
É alegria, alegria, um sorriso.
Vida não é sofrida...
Exceto a do indeciso.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ao vento, um pedido

E a sorrir eu pretendo esperar
E deixar que o vento sopre pra cá...

Belo aquele dia que se fez
Vieram calma, carícias, carinhos...
Com o vento veio de vez...

Hoje o vento nos deixa sozinhos
Mas não leva a imagem da tua tez...
O vento que sopra carinhos...
Há de voltar outra vez...

Sopra cá, querido vento,
Trá-la aos meus abraços...
Sopra logo esses bons ares...
Derruba-a nos meus braços,

A sorrir estou eu a esperar
Se retornares com minha adorada
Não faz drama, não faz nada,
Apenas a deixe me amar...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Meras palavras...

Talvez falar em destino seja forma vaga de se pensar em futuro, relacionando o tal com o passado...
E talvez seja descrevê-lo forma fixa de mostrar o passado para quem fez do seu presente uma boa perspectiva para o futuro.
Não fiz minha redação no passado por desconfiar do futuro, pois naquele presente, meu único presente era apreciar...
Ouvia os passos leves de uma beleza admirável...
E mesmo perto, apenas ouvindo, eram meus olhos os beneficiados...
“Há de ser!” ou “Há de ser?”
Um ponto mudaria tudo. E talvez por esse motivo não tenha deixado no papel as provas da minha vigilia...
E pra quê provas quando estas estão na memória que jamais, eu garanto, deixaram espaço vazio nestes frágeis sentimentos...?
Guardei em silêncio estas boas lembranças e destas não fiz esperança...
Todas as vezes e vezez, diversas e diversas situações, anos e anos depois, foram meus olhos os mesmos admiradores da sua beleza... Em cada visita que aqui fazia, trazia consigo os passos leves...
A lembrança fazia-se por si e buscava nas sombras distantes que você deixava da partida, como qualquer sentimento, um pouco de mais... Um gosto de “quero mais”.
Mas um “quero mais” de quê? E ficava, ainda hoje, aquele desejo de tocar, sentir...
Agora existiu um desejo por mais; corpo e alma sempre anseiam por acúmulo de bons momentos...
E voltando ao destino: pode ele estar presente nesta confusão de tempos verbais!
E talvez o ficava e o existiu, persistam tanto na minha lembrança... Eles são impressionantes, porque num “antes”, eu admirei...
Eles são confusos; porque hoje fica cravado um desejo por mais vezes...
Eles foram insistentes, tanto, que hoje existe o sentir e o tocar...
E na verdade o que chamamos e conhecemos por destino, nada mais é que o viver, anexando um ao outro: passado e presente, apenas.
O futuro, deixemos como uma mera situação de esperança, mas encostada, sem tê-la.
A verdade é que passado e presente já são intocáveis e, no meu caso, esbanjam memórias e reticências.
E ainda sobre o destino, o faço sem querê-lo fazer... Pois, o que chamamos “destino” são esses incríveis momentos que sem ou com palavras, fazemos, mas lembramos; momentos presentes que no exato momento em que acontecem, fazemos louvores de como está/foi, no mínimo, maravilhoso.
A confusão dos verbos pode até continuar. O importante são as lembranças que de formas tão distintas vão se encaixando no meu quebra-cabeça.
As peças são os maravilhosos detalhes, e infelizmente ou não, não posso descrevê-los...
Estão guardados, vivos, ansiosos por continuação... Sempre usando lembranças, que passam do simples oi ao complexo pé-do-ouvido, do "quando a gente conversa, contando casos, besteiras..." ao contar de fato... Por aí se desenrola toda uma melodia prazerosa, de contos e contatos, de casos e acasos... De certa forma, criada por nós, mas cheia de detalhes perfeitos, que com certeza nos levaram...

Inevitáveis e belos momentos que nós mesmos conduzimos, ou não.