segunda-feira, 30 de maio de 2011

Anseio pelo próximo dia...

A escuridão poderia atormentar meus olhos neste momento, extravasar com meu ânimo... Qualquer dor poderia interromper meus sentidos, quebrar meus ossos, aniquilar qualquer parte deste corpo...
Amedrontem-me com palavras ou lancem-me de vez  ao mar... Acorrentado estaria eu pronto a deitar-me ao leito eterno! Que façam injúrias ao meu respeito, que façam bons proveitos de mim! Desloquem, pois, meus sentimentos inexistentes... Que provem do meu sabor e tirem do amargo da vida tudo que quiserem para aprender...
Maltratem meu espírito, que façam o que quiserem com minha alma inexistente...
Que vocês possam me guilhotinar, que arrebentem com tudo à minha volta! Que despedacem todas as minhas flores no jardim e sussurrem aos meus ouvidos palavras tolas de quem faz juízos!
Que inundem todas as minhas fortalezas e façam o que quiserem com meu vale inexistente...
Sobreponham-me à tristeza...
Atirem flechas ao meu peito ferido...
Derramem meu sangue ao pé da intolerância e ao fazerem de mim um mero defunto, não se atenham ao corpo...

Antes de tudo o que possa fazer de mim um inútil, imploro que me permitam provar da doce respiração, do terno abraço, do perfume, da meiga inquietude, da beleza perfeita que tivera meu olhar por instantes; provar da tépida tez que aqueceu minha face...

Provar aquela proximidade só uma mais uma vez...
Permitam-me que possa tocá-la, senti-la...
Permitam-me que eu fique mudo diante de tamanha beleza...
Permitam-me que a tenha em meus braços e abraços uma vez mais...

Permitam-me, dias restantes!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Diz aos jovens que morri

Hier, la nuit d’été, que nous prêtait ses voiles,
Était digne de toi, tant elle avait d’étoiles!
Vitor Hugo



Diz aos jovens que morri,

Deitei na cova enquanto pálido
Diz ao meu amigo que parti,
Não deixei felicidade...
Foi-se o tempo, foi-se o dia
Agora escuridão, velas e luto
Vivo em prantos, triste noite sombria
Cálice amargo sem vinho, a taça
Que do vinho guardo euforia
Que fez-te vil, imunda desgraça
Teu punhal o sangue, a morte abraça.
És a causa da minha agonia...
Do meu peito tiraste brasa...
Dançaste e cantaste, eu sofria
Da tua beleza a morte, oriunda
Minha morte, tua alegria
Eu, mera ave moribunda...

Tresnoitei-me nas orgias macilento...


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ensaio platônico




Era tudo até o “oi”,
O silêncio da tua fala
Deixaste no que se foi
O lamento de quem se cala

Era nada até o “oi”,
Da tua fala, o amor.
Guardaste do que se foi
O calar dum ouvidor

Se tu falas, nada sentes
Quando sentes é que te cala
Verdadeiro, se não mentes,
É o amor da tua fala

Se tu guardas, admiras,
O amor está contido
Falas para que adquiras
Um amor menos sofrido

O amor não é falado
Professado, um nada vira
Mas é tudo, se calado
O amor de quem admira.



terça-feira, 17 de maio de 2011

Amabilidade

Mudaria o dia
Para tê-la ao menos  o dia todo!

Mudaria a  noite...
Para tê-la ao menos a noite inteira
Desejaria o meu fim...
Afim de salvá-la da tristeza

Cairia.
Afim de elevá-la a mais alta glória

Nasceria talvez novamente
Para simplesmente...
Sentir...
Mil vezes mais seu calor!

Desejaria minha angústia,
Angustiado para trazer-lhe felicidade!

Correria léguas
Para livrá-la de todo o cansaço!

Buscaria a estrela que brilhou!

Satisfazendo sua vontade
Começaria outra vez....

E quantas vezes necessárias
Para não magoá-la vez alguma!

Gritaria do fundo dos mares...
A alcançar seus ouvidos
o som de todo o amor!

 1.998

O breve descanso da vida!

Há um refúgio,
O qual desperta desejo.

É calmo o refúgio...
O repouso, interminável.

Preferiria habitar tal descanso
A viver nessa vil e findável morada.

Avança sobre mim tal leito,
Soturno e terno em dia,
De conforto intrigante em noite calada.

É exasperado meu repousar.
Forasteira, eremita faz-se a vida,
Avança sobre mim o despeito do pesar
Distribui abraços sobre a tão vivida esperança cansada.

Se faço do viver,
Um viver sem fim,
Não tenho abrigo possível.

Se a vida faz-se viajante
Encontra em mim o descanso
Era minha ânsia.
Agora faz parte de mim o repouso.


Fazê-la agitada (a vida)
Não o ouso.

A vida tem de ser leve,
Fazê-la agitada (a vida) em vida, 
É torná-la vida sofrida.

O breve viver, ou viver breve?

O refúgio, o do início
A vida que o leve!
Não faço corrida na vida

O viver, mesmo breve
Não faz da vida um comício.


terça-feira, 10 de maio de 2011

Piedosa

Que suma daqui esta dor!
Que mesmo falsa se põe a doer
E em suma pode ser bela
A dor que me faz escrever...

Do leito das salgadas águas
Atingiu-me a vil em penhor,
Flagelou o que era frágil;
Piedosa, clama-lhe a dor!

E em suma dói o que é vão,
Nada faz além de sofrer
Que suma logo vil dor!
Opaca, falsa, voz do perecer.

Do leito de águas doces
Nasce sempre um pouco da dor
É como nomeiam a saudade
Os ímpios donos do amor.

Que suma, feliz Dor!
Que de tão falsa faz-me escrever
E em suma, leve a beleza
Da dor que nos faz viver

Rogo o fim do lamentar,
Menos desta passageira vida;
Da mesma dor que lamento ostentar
Retiro logo palavra sofrida
Que faz ter vida esta dor
Ostento dor e doer
De tão falsa é falso ardor
É o pesar de fazê-la nascer...


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Resposta à pergunta: Por que o desejo em concluir!?


Imaginem o olhar perdido no horizonte! Será que ele está realmente perdido? Devemos concordar que é um olhar diferente e distante. Diferente por aparentar ser pensante, distante por estar fora do nosso alcance. Mas será que realmente está ele fora do nosso alcance? Desacredito que, ao olhar horizontalmente, as conclusões se percam e muito longe disso, creio que são nesses olhares perdidos e desacreditados que estão as maiores fontes de silogismos.
O texto aqui, em si, já parece horizontal e longínquo, mas, por favor, peço que imaginem um olhar de fato distante... Não é qualquer busca por solução ou aquela visão estática de quem fixa as retinas num ponto qualquer... Falo de um olhar específico! Falo de algo que preciso demonstrar... Algo que aprecio tanto não pode ser representado em palavras... A foto do post passa batida pelo que realmente representa este olhar cheio de dúvidas, questões e descobertas... É uma paralisia vertical: não existem céu e terra. O único movimento sensorial é a percepção...
É tão perfeito esse olhar que de simples faz-se histórico e de tão calmo e pacificador esconde toda a agitação que ocorre na imaginação! É um olhar com mão no queixo que denota o ser pensante, mas esconde o ser sensível... A sabedoria que você procura se esconde no horizonte e é o horizonte que você almeja... O caminho? Totalmente ladrilhado de sentimentos. A sensação? Maravilhosa! O tamanho do caminho? Para alguns é monstruoso. Para mim? Consigo traçá-lo de olhos fechados.

Sinto que às vezes o esqueço (o olhar perdido) completamente e sabe quem bate à porta, insistentemente?


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Epifania do amor!



“Abre os olhos, querida!
O sol nasceu e tu estás perdendo...”

O calor abrasa teu corpo,
Ilumina os cabelos dourados;
És tão bela quanto a noite,
És tão calma quanto o vento,
Ès a parte oriunda da beleza que deus esculpiu;
E em tal momento
Retirou da esmeralda a pedra preciosa
E fez assim teu belo olhar...
És jóia rara, e por mais dito que isto seja,
Não cessam em mim recordações
Dos teus belos olhos que me perseguem,
Destas luzes que me seguem
Que dão forma a tua escultura,
Que iluminam teu retrato...
És a porta do prazer,
Deste desejo incessante...
És tu, forma marcante
De traços puros e suaves;
Um êxtase de loucura
Faz-me subir edifícios...
E quando penso que estou caindo,
Vens tu com esta pureza
Que me derruba e me levanta...
Incendeia o amanhecer;
Fez-te bela! Oh, Senhor!
Fez-te bela numa manhã, 
Porque és jóia rara, minha ternura
És ilusão do meu bem querer
Que faz-me crer no amanhã
Com carícias durante o dia,
Pois a tarde nos brindamos
Com afeto de quem se adora,
Pois à noite nos amamos,
Insaciáveis de desejo,
Esperando o raiar da aurora!

Quando partes vêm a certeza:
Talvez eu morra sem dizer que te amo!


domingo, 1 de maio de 2011

Minha arrogância pela sua indiferença!


Escrever num dia como hoje, deixar-me-ia triste e enojado! Geralmente deixo um blog para expressar sentimentos diversos de gratidão para com o mundo que me abriga e para com os braços que me acolhem... E posso dizer que são sentimentos de gratidão, pois nada mais teria eu a fazer, senão cultivar a felicidade dentro deste ser! Alguns tantos que me conhecem podem dizer melhor sobre isso... E perguntados sobre mim, dirão que nunca me viram sem um sorriso largo estampado na cara! Num outro eu tento, meio que discretamente, levar um pouco de luz aos que esperam por justiça, em toda a acepção da palavra, num mundo tomado pela alienação social... Expresso meu sonho de não presenciar todos os dias a morte pela fome de milhões de crianças, jovens e adultos!
Aqui eu deveria escrever sem apelos, apenas pelo prazer de escrever...
Mas hoje...
Hoje eu presenciei cenas de ignorância, desafeto, balburdia, desinteresse, cenas que exemplificam exatamente o real perfil do ser humano atual: um ser humano apático, caótico, cego, covarde, deprimente, individualista, cretino, vil, dominado pelo dinheiro, dominado por seu próprio ego, escroto, porco, baixo, dominado completamente pela podridão capitalista que me faz vomitar, esquecido da sua real obrigação enquanto vivo, completamente inserido num chiqueiro de analfabetos alienados...
Pude perceber em questões de minutos, o número enorme de despreocupados que habitam o mesmo espaço que eu... Meus contemporâneos fétidos!
A verdade absoluta é que hoje me dei ao luxo de fechar um pouco a cara, me dei ao luxo de esbanjar minha arrogância, me dei ao luxo de ser antipático, me dei ao luxo de gritar o quanto somos conformados com a desgraça...
Tudo acontece bem próximo, mas quantos acarretam para si a culpa...?
Peço que olhem para o lado e percebam se é mesmo correto o que acontece, se é correto que tanta gente tenha que morrer para que você possa se divertir!
Só tenho a dizer que por fim acabei escrevendo, mas para deixar o meu sentimento de vergonha:
Vergonha de fazer parte da mesma raça em que estão enquadrados  todos esses PORCOS IMUNDOS!