Eis que sinto o leve vento interiorano que me apraz...
Não menos aprazível que o sopro das Serras,
Mas que carrega consigo minhas lembranças...
Sopra sobre meu berço... Leva e traz.
Redemoinha paz nas minhas terras,
É o mensageiro das minhas andanças.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Bem-me-leve
O dia adia a noite...
Noite absurda cheia de festa.
Fazem odes ao acaso...
Odeiam o descaso.
Fazem certo. Rumo ao incerto!
Acendem velas à rotina,
Que de tão apática, faz com batina uma rima.
Arrepios pelo inesperado, que de tão vasto, vem em êxtase.
Cotidiano, o chamo ao marasmo... Fazer deleite do ócio, retorcer a mão ao vento.
A pressa adia ainda mais a surpresa e surpresas são temperos no cru da vida.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Amálgama
Do mais, estou elucubrando, passando a limpo, adquirindo, reconhecendo e receitando. Do passado, só passando em limpos trapos... E do menos, é o mais ou menos... meio lá, meio acolá da vida. Presenteado no presente, sou maciço não sou oco; vejo o cisco.. cisco pouco. Pois é isto. Disto tiro nada... Não se fala mais nisto. Você olha pra tudo isto, toda hora, horas inteiras.. Qual o proveito que tira disto? O futuro será o reflexo do seu proveito. Se fez bom, fez bem feito. Se fez mau, bem feito.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Luzes, câmera, inspiração.
Caminham próximos desejo e inspiração... Um leva ao outro a imagem dos teus beijos!
Pernas para alto, em sombra, fresco do orvalho, lápis e sonhos... As árvores parecem cantar... Adormecem-me e sonolento, fora de si...
Parto para o mundo em que estou ao lado do teu corpo...
Fora de mim...
Dentro de ti!
É um estar só, mas presenteado pela tua companhia...
Estar ardente, em chamas...
Abrasado...
É um refúgio sem refugiados.
É o apogeu do meu universo, ponto estático em movimento...
És tu tão presente, tão vívida, tão perfeita e idealizada.
E nesta tua ausência, o que me resta?
Tu és como a fresta de sol entre as árvores que veio me acordar... Eu te senti, mas a ti não pude alcançar...
domingo, 23 de outubro de 2011
As donas da minha sala.
Perdi-me...
Convencer-me-iam desta minha insanidade?
Cá estou com minha analogia em contrastes
Lutando com o nascer para espantar a partida;
E quando saboto a noite, talvez seja a claridade a fazer-me o bem;
Estou meio definhado na impaciência de que os dias passem! Talvez seja eu tão noturno quanto pálido!
Perco-me neste moinho, que como os de Cartola reduzem ilusões a pó – Talvez me caia bem um colo com rosto meigo acalentando minha quietude.
Este desejo que não me abandona, que me consome dia-a-dia! Acampa nos meus afazeres, não falta uma noite: bonito e extenso; é uma chama querendo incendiar a morada da dúvida para que eu parta... Assim, arrasada minha certeza, seguiria eu o norte dos meus pensamentos e encontraria repouso em teu seio.
Dizem que é loucura pensar assim – obcecar-se de prazeres libertinos, tresnoitar-se em copos de vinho – mas é sem querer, é coisa de criança boba, de adolescente apaixonado, de poeta inspirado.
É quando escrever tem graça, quando se alcança um pouco de pureza no horizonte, quando o estar em solo nada significa... Este derrame de sensações que te aquece a face, que te anseia o corpo, que faz balburdia da tua vida...
Pensar assim é convencer-se louco!
Cá estou com meu almoço e janta! Minhas doses de imagens a descartar e controlar o desejo; assim permaneço camponês. Sou teu refém, raposa leviana. Levaste contigo a mais perfeita das minhas seguranças. Levaste minha alma. Abandonaste meu corpo sem rumo.
Por qual nome atendes, mulher? Teu sorriso e teu corpo combatem e competem com lábios, cabelos e palavras dóceis... Uma dúzia de ti ou uma dose?
Sóbrio embebedado não perdi a conta... Faz cócegas este desejo, faz parte da cena, faz parte da melodia, da dança, de toda a busca...
Esta vontade sem fim faz parte até do próximo desejo que virá... O mesmo desejo de antes. A mesma vontade: um pouco mais da tua presença!
Quem desfruta do meu apelo... Faz uso, abusa da mesma devassidão, dos meus e dos teus prazeres...
A ti farei tais versos, só para que mandes em mim... Mandarás com ternura em baianês!
A ti deverei encontrar, e, quando o fizer... Prepara-te! Serás bajulada, acariciada por toda minha emoção libertina, inspiradora e insana.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Açaí
Faço o tudo barra nada deitado adormecendo-lhe esqueço que há música rolando... Essa é a combinação da beleza ao lado com meu de lado idolatrado ócio! É a fanfarra da manhã de farra que começa! É uma troca de beijo e beijos em troca de cafunés... Da minha à sua rede. É da Pasárgada que li ontem o desvairado e ocioso e teimoso e cheiroso e charmoso ou apetitoso e delicioso gozo da tarde insana... São estes acúmulos de “ês” para escrever que o “juntos” é combinação dos dois deitados; São os acúmulos de “ous” para descrever que aqui até o nada leva “ous”, ou o que seria? Aquele lance de desejar sentando sentado esperando olhando teimando observando olhando criando cuidando roendo olhando ouvindo o som antes esquecido; assim sem vírgula pois a vírgula vírgula pouco importa quando se trata de um dia de ócio desvairado criado lambido comido antropofágico! Levou anos mas eu deitei, assim, com vírgulas, pois agora o chão é fofo e de chão fofo eu quero viver... Viver deitado tomando chocolate quente chocolate frio e passando seu frio... Na cama ou na rede ou alisando seus pelos, roçados aos meus! Ah, e há os alísios e há os Elíseos! Os alísios levam a pena, e que pena, é uma pena que não carregue minha maçã até mim... Deixo seu ócio por um mero minuto e é o fim infindável do mundo! Quero afanada roubada e deitada e quero de pé sem pé e no pescoço e ao pé do ouvido e com a boca na coxa! Percorrer o pecado calado banido atirado e correr ou dar voltas em você ou girar em torno de mim ou do meu ócio ou do seu olhar adormecido! Desvairada essa boca de lábio de mel de menina ternura de açaí tenho aqui... Noite sem escrúpulos sem adorno sem adereço sem jóias ou brincos e colares ou roupas e espalhadas no canto as roupas suas... Meu ócio é tanto que são duas nuas indo e vindo assim sem exclamação de um exclamado e ardente e inquietante e [...] Baby, entre nós só há calor e cerveja, pois o vinho acabou e levou sobriedade e agora não há nada além de uma gota entre estes corpos ébrios ofegados ofeguidos orfeurizados ofegantes e cantantes... Abastados abobalhados chocados! Embebedados e caluniados enganados pelo tempo! Cobre com doçura! Ouro com mel! Dourada no sol! Prateada na lua! Animada no sofá é desvairada toda essa loucura... Loucura de agarrar e arrasar a nuca sua toda nua despida aventurada mais que amada!É armada neste seu litoral nada recortado enfeitiçado enfeitiçante envolvente em volta da minha ameaça... É tal madrugada que ofegado deitado envenenado pelo mel assim sem vírgula vírgula quero outra dose... Formam minhas doses de particípios os princípios desta luxúria obscena obcecada acenando e pedindo e clamando e implorando por mais mais mais mais mais - mais "ais"! Pausa verde! Abençoado encarnado induzido ao abusivo calor deste corpo... Adocicado parado proibido divertido entretido com o meu! Faz a música lembrada ser esquecida e o mel dosado entorpecido pela manhã de um sol intrometido.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Inconformista.
Estoicistas, empiristas, nacionalistas, capitalistas, niilistas, positivistas, budistas, liberalistas, partidaristas, criacionistas, regionalistas, realistas, romancistas, negativistas, comunistas, monetaristas, socialistas, neoliberalistas, naturalistas, geocentristas, politeístas, evolucionistas, dualistas, dadaístas, ateístas, humanistas, catolicistas, satanistas, radicalistas, sofistas, totalitaristas, racionalistas, teocentristas, absolutistas, hinduístas, anarquistas...
Divisões que representam a fragmentação de uma espécie! Promovem descaradamente a violência, incitam o poderio de um sobre o outro e erguem cercas e muros e biombos...
Escolher um lado não é sinal de liberdade, não é livre-arbítrio... É um simulacro do “ser livre”. É fazer parte de grupos, quando o grupo deveria ser um.
Os incontáveis istas buscam sobre um chão liso impor suas ideologias incoerentes! Patinando na própria merda, destruindo o que é do todo... Esquecem-se do real propósito do ser enquanto vivo: cuidar do lar em que vive, sobreviver e sobreviver simplesmente.
Divisão: além de dividir, separa.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Desdobre
Correm longos, longos fatos...
E uma pena escreve pobre,
Riem, cospem, sentem aos tatos
De pena digna, a vida nobre.
Simples vistas, meus olhos cobrem,
Plantas belas, canto o belo, o sol, ou ratos...
Imperfeições não há que me dobrem,
Deslumbro-me em verdes matos...
Raios, rios, represas, o mar...
Nuvens, íris, pele, beijos...
Ah, o cuidar...
Que pena nobre vida,
Desprezo alegria comprada
O “tal” dela, esquecida...
Se não-simples, enganada.
Mas ainda que adquirida,
É alegria, alegria, um sorriso.
Vida não é sofrida...
Exceto a do indeciso.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Ao vento, um pedido
E a sorrir eu pretendo esperar
E deixar que o vento sopre pra cá...
Belo aquele dia que se fez
Vieram calma, carícias, carinhos...
Com o vento veio de vez...
Hoje o vento nos deixa sozinhos
Mas não leva a imagem da tua tez...
O vento que sopra carinhos...
Há de voltar outra vez...
Sopra cá, querido vento,
Trá-la aos meus abraços...
Sopra logo esses bons ares...
Derruba-a nos meus braços,
A sorrir estou eu a esperar
Se retornares com minha adorada
Não faz drama, não faz nada,
Apenas a deixe me amar...
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Meras palavras...
Talvez falar em destino seja forma vaga de se pensar em futuro, relacionando o tal com o passado...
E talvez seja descrevê-lo forma fixa de mostrar o passado para quem fez do seu presente uma boa perspectiva para o futuro.
Não fiz minha redação no passado por desconfiar do futuro, pois naquele presente, meu único presente era apreciar...
Ouvia os passos leves de uma beleza admirável...
E mesmo perto, apenas ouvindo, eram meus olhos os beneficiados...
“Há de ser!” ou “Há de ser?”
Um ponto mudaria tudo. E talvez por esse motivo não tenha deixado no papel as provas da minha vigilia...
E pra quê provas quando estas estão na memória que jamais, eu garanto, deixaram espaço vazio nestes frágeis sentimentos...?
Guardei em silêncio estas boas lembranças e destas não fiz esperança...
Todas as vezes e vezez, diversas e diversas situações, anos e anos depois, foram meus olhos os mesmos admiradores da sua beleza... Em cada visita que aqui fazia, trazia consigo os passos leves...
A lembrança fazia-se por si e buscava nas sombras distantes que você deixava da partida, como qualquer sentimento, um pouco de mais... Um gosto de “quero mais”.
Mas um “quero mais” de quê? E ficava, ainda hoje, aquele desejo de tocar, sentir...
Agora existiu um desejo por mais; corpo e alma sempre anseiam por acúmulo de bons momentos...
E voltando ao destino: pode ele estar presente nesta confusão de tempos verbais!
E talvez o ficava e o existiu, persistam tanto na minha lembrança... Eles são impressionantes, porque num “antes”, eu admirei...
Eles são confusos; porque hoje fica cravado um desejo por mais vezes...
Eles foram insistentes, tanto, que hoje existe o sentir e o tocar...
E na verdade o que chamamos e conhecemos por destino, nada mais é que o viver, anexando um ao outro: passado e presente, apenas.
O futuro, deixemos como uma mera situação de esperança, mas encostada, sem tê-la.
A verdade é que passado e presente já são intocáveis e, no meu caso, esbanjam memórias e reticências.
E ainda sobre o destino, o faço sem querê-lo fazer... Pois, o que chamamos “destino” são esses incríveis momentos que sem ou com palavras, fazemos, mas lembramos; momentos presentes que no exato momento em que acontecem, fazemos louvores de como está/foi, no mínimo, maravilhoso.
A confusão dos verbos pode até continuar. O importante são as lembranças que de formas tão distintas vão se encaixando no meu quebra-cabeça.
As peças são os maravilhosos detalhes, e infelizmente ou não, não posso descrevê-los...
Estão guardados, vivos, ansiosos por continuação... Sempre usando lembranças, que passam do simples oi ao complexo pé-do-ouvido, do "quando a gente conversa, contando casos, besteiras..." ao contar de fato... Por aí se desenrola toda uma melodia prazerosa, de contos e contatos, de casos e acasos... De certa forma, criada por nós, mas cheia de detalhes perfeitos, que com certeza nos levaram...
quarta-feira, 27 de julho de 2011
...
O que pode ser tão mais confortante do que o silêncio? É simplesmente a melhor de todas as poesias, aquela em que reside uma energia carregada de sorrisos. E notem que por mais belas que sejam as palavras, mesmo quando nos tocam profundamente, intensamente... Não nos alivia mais do que um sorriso silencioso, morada daquele conforto que só quem admira é capaz de descrever...
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Recanto, refúgio
Pertinente...
Meu coração se faz recipiente profundo...
Rebate as futuras dores com indiferença.
Constrói um vazio finito...
Algo com fim não faria eco.
Porque quando repousa, neste imenso vazio, o sentimento...
Rebentam os gritos desafortunados de um silencioso desesperado...
Para contê-los silenciosos, de enfermo se faz vivo o coração,
Pois, se debilitado se apresenta ao amor...
Frágeis como plumas, quaisquer dores fazem desabar na angústia este peito ferido.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Sobre os distintos...
São apenas todos esperando o mesmo sucesso. Fazem do trivial, troféu.
Os que pensam não fazem parte da massa iludida por essa busca...??
Nascer, aprender, falar, gritar, estudar, ser criado, ser empregado, ser submetido, ser conquistado, empregar, crescer, conquistar...
Fazem todos, as mesmas coisas, e os mesmos são mandantes e mandados. Reaproximo-me da busca perfeita pela liberdade. E se quero ser nada, fazer nada?
Reaproximo-me da minha singela reflexão: se sou livre, posso não ser igual ao resto.
Mas, meus amigos, não os condeno. Na conquista não somos desiguais. Somos os mesmos e como nossos pais.
No pódio desta corrida, imperfeitos ou perfeitos, conquistados ou conquistadores, bons ou sem escrúpulos, somos o mesmo...
Ocupamos visões e colocações distintas, mas todos somos, simplesmente, humanos... E esse dever de sempre ocupar o melhor espaço, que nos enfiam goela abaixo dia-a-dia, é apenas uma distração para quem não se contenta apenas em sobreviver...
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Aquele que proclama o amor.
Quem canta essa beleza por aí sabe o quanto é viva a felicidade
Que demanda simplicidade ao agente da alegria.
E da alegria emerge tranqüilidade infinita...
E esta calmaria exuberante é o conforto delirante em que repouso ações minhas.
Ah! Respire, deixe a esperança de ser feliz!
Abandone de vez o querer ser!
Ah! Essa mania de ser infeliz
Enquanto o ser já é por si só.
Sabe bem da felicidade o aprendiz que em mim reside
Que deseja apenas o saber do provedor da alegria
Pois, da alegria, transborda sorrisos apaixonantes...
E toda essa calmaria exuberante é o delírio confortante em que faço coisa qualquer.
Ah! Dê um basta na busca desenfreada!
Freie de vez sua rotina!
Seja e faça felicidade.
Enquanto abre-se a cortina da alegria.
É de demasiada felicidade esta minha peça teatral.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Férias
Vez ou outra escapo da minha rotina.
Terminam os dias de estudo, começam os de leitura...
Eu ouço, toco, canto, não danço. Entro sim na dança...
Vez ou outra dou vida à vida minha sem esperança...
Busco uma Pasárgada. Nem lembro minha última embriaguez.
Agora que o tempo acalma,
Há tempo pra conversar...
Buscar na ideia sua...
Vou de Sócrates a Salvador Allendi...
Aqui passo por Mario Quintana.
Não há esperança, amigos.
Apenas minha vida que não se cansa,
Que busca numa leitura, algo que ainda não saiba.
Não há arrogância, pobres amigos.
Apenas minha vida que cai na dança,
Sem esperança de ser feliz.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Anseio pelo próximo dia...
A escuridão poderia atormentar meus olhos neste momento, extravasar com meu ânimo... Qualquer dor poderia interromper meus sentidos, quebrar meus ossos, aniquilar qualquer parte deste corpo...
Amedrontem-me com palavras ou lancem-me de vez ao mar... Acorrentado estaria eu pronto a deitar-me ao leito eterno! Que façam injúrias ao meu respeito, que façam bons proveitos de mim! Desloquem, pois, meus sentimentos inexistentes... Que provem do meu sabor e tirem do amargo da vida tudo que quiserem para aprender...
Maltratem meu espírito, que façam o que quiserem com minha alma inexistente...
Que vocês possam me guilhotinar, que arrebentem com tudo à minha volta! Que despedacem todas as minhas flores no jardim e sussurrem aos meus ouvidos palavras tolas de quem faz juízos!
Que inundem todas as minhas fortalezas e façam o que quiserem com meu vale inexistente...
Sobreponham-me à tristeza...
Atirem flechas ao meu peito ferido...
Derramem meu sangue ao pé da intolerância e ao fazerem de mim um mero defunto, não se atenham ao corpo...
Antes de tudo o que possa fazer de mim um inútil, imploro que me permitam provar da doce respiração, do terno abraço, do perfume, da meiga inquietude, da beleza perfeita que tivera meu olhar por instantes; provar da tépida tez que aqueceu minha face...
Provar aquela proximidade só uma mais uma vez...
Permitam-me que possa tocá-la, senti-la...
Permitam-me que eu fique mudo diante de tamanha beleza...
Permitam-me que a tenha em meus braços e abraços uma vez mais...
Permitam-me, dias restantes!
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Diz aos jovens que morri
Hier, la nuit d’été, que nous prêtait ses voiles,
Était digne de toi, tant elle avait d’étoiles!
Vitor Hugo
Était digne de toi, tant elle avait d’étoiles!
Vitor Hugo
Diz aos jovens que morri,
Deitei na cova enquanto pálido
Diz ao meu amigo que parti,
Não deixei felicidade...
Foi-se o tempo, foi-se o dia
Agora escuridão, velas e luto
Vivo em prantos, triste noite sombria
Cálice amargo sem vinho, a taça
Que do vinho guardo euforia
Que fez-te vil, imunda desgraça
Teu punhal o sangue, a morte abraça.
És a causa da minha agonia...
Do meu peito tiraste brasa...
Dançaste e cantaste, eu sofria
Da tua beleza a morte, oriunda
Minha morte, tua alegria
Eu, mera ave moribunda...
Tresnoitei-me nas orgias macilento...
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Ensaio platônico
Era tudo até o “oi”,
O silêncio da tua fala
Deixaste no que se foi
O lamento de quem se cala
Era nada até o “oi”,
Da tua fala, o amor.
Guardaste do que se foi
O calar dum ouvidor
Se tu falas, nada sentes
Quando sentes é que te cala
Verdadeiro, se não mentes,
É o amor da tua fala
Se tu guardas, admiras,
O amor está contido
Falas para que adquiras
Um amor menos sofrido
O amor não é falado
Professado, um nada vira
Mas é tudo, se calado
O amor de quem admira.terça-feira, 17 de maio de 2011
Amabilidade
Mudaria o dia
Para tê-la ao menos o dia todo!
Mudaria a noite...
Para tê-la ao menos a noite inteira
Desejaria o meu fim...
Afim de salvá-la da tristeza
Cairia.
Afim de elevá-la a mais alta glória
Nasceria talvez novamente
Para simplesmente...
Sentir...
Mil vezes mais seu calor!
Desejaria minha angústia,
Angustiado para trazer-lhe felicidade!
Correria léguas
Para livrá-la de todo o cansaço!
Buscaria a estrela que brilhou!
Satisfazendo sua vontade
Começaria outra vez....
E quantas vezes necessárias
Para não magoá-la vez alguma!
Gritaria do fundo dos mares...
A alcançar seus ouvidos
o som de todo o amor!
1.998
O breve descanso da vida!
Há um refúgio,
O qual desperta desejo.
É calmo o refúgio...
O repouso, interminável.
Preferiria habitar tal descanso
A viver nessa vil e findável morada.
Avança sobre mim tal leito,
Soturno e terno em dia,
De conforto intrigante em noite calada.
É exasperado meu repousar.
Forasteira, eremita faz-se a vida,
Avança sobre mim o despeito do pesar
Distribui abraços sobre a tão vivida esperança cansada.
Se faço do viver,
Um viver sem fim,
Não tenho abrigo possível.
Se a vida faz-se viajante
Encontra em mim o descanso
Era minha ânsia.
Agora faz parte de mim o repouso.
Fazê-la agitada (a vida)
Não o ouso.
A vida tem de ser leve,
Fazê-la agitada (a vida) em vida,
É torná-la vida sofrida.
O breve viver, ou viver breve?
O refúgio, o do início
A vida que o leve!
Não faço corrida na vida
O viver, mesmo breve
Não faz da vida um comício.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Piedosa
Que suma daqui esta dor!
Que mesmo falsa se põe a doer
E em suma pode ser bela
A dor que me faz escrever...
Do leito das salgadas águas
Atingiu-me a vil em penhor,
Flagelou o que era frágil;
Piedosa, clama-lhe a dor!
E em suma dói o que é vão,
Nada faz além de sofrer
Que suma logo vil dor!
Opaca, falsa, voz do perecer.
Do leito de águas doces
Nasce sempre um pouco da dor
É como nomeiam a saudade
Os ímpios donos do amor.
Que suma, feliz Dor!
Que de tão falsa faz-me escrever
E em suma, leve a beleza
Da dor que nos faz viver
Rogo o fim do lamentar,
Menos desta passageira vida;
Da mesma dor que lamento ostentar
Retiro logo palavra sofrida
Que faz ter vida esta dor
Ostento dor e doer
De tão falsa é falso ardor
É o pesar de fazê-la nascer...
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Resposta à pergunta: Por que o desejo em concluir!?
Imaginem o olhar perdido no horizonte! Será que ele está realmente perdido? Devemos concordar que é um olhar diferente e distante. Diferente por aparentar ser pensante, distante por estar fora do nosso alcance. Mas será que realmente está ele fora do nosso alcance? Desacredito que, ao olhar horizontalmente, as conclusões se percam e muito longe disso, creio que são nesses olhares perdidos e desacreditados que estão as maiores fontes de silogismos.
O texto aqui, em si, já parece horizontal e longínquo, mas, por favor, peço que imaginem um olhar de fato distante... Não é qualquer busca por solução ou aquela visão estática de quem fixa as retinas num ponto qualquer... Falo de um olhar específico! Falo de algo que preciso demonstrar... Algo que aprecio tanto não pode ser representado em palavras... A foto do post passa batida pelo que realmente representa este olhar cheio de dúvidas, questões e descobertas... É uma paralisia vertical: não existem céu e terra. O único movimento sensorial é a percepção...
É tão perfeito esse olhar que de simples faz-se histórico e de tão calmo e pacificador esconde toda a agitação que ocorre na imaginação! É um olhar com mão no queixo que denota o ser pensante, mas esconde o ser sensível... A sabedoria que você procura se esconde no horizonte e é o horizonte que você almeja... O caminho? Totalmente ladrilhado de sentimentos. A sensação? Maravilhosa! O tamanho do caminho? Para alguns é monstruoso. Para mim? Consigo traçá-lo de olhos fechados.
Sinto que às vezes o esqueço (o olhar perdido) completamente e sabe quem bate à porta, insistentemente?
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Epifania do amor!
“Abre os olhos, querida!
O sol nasceu e tu estás perdendo...”
O calor abrasa teu corpo,
Ilumina os cabelos dourados;
És tão bela quanto a noite,
És tão calma quanto o vento,
Ès a parte oriunda da beleza que deus esculpiu;
E em tal momento
Retirou da esmeralda a pedra preciosa
E fez assim teu belo olhar...
És jóia rara, e por mais dito que isto seja,
Não cessam em mim recordações
Dos teus belos olhos que me perseguem,
Destas luzes que me seguem
Que dão forma a tua escultura,
Que iluminam teu retrato...
És a porta do prazer,
Deste desejo incessante...
És tu, forma marcante
De traços puros e suaves;
Um êxtase de loucura
Faz-me subir edifícios...
E quando penso que estou caindo,
Vens tu com esta pureza
Que me derruba e me levanta...
Incendeia o amanhecer;
Fez-te bela! Oh, Senhor!
Fez-te bela numa manhã,
Porque és jóia rara, minha ternura
És ilusão do meu bem querer
Que faz-me crer no amanhã
Com carícias durante o dia,
Pois a tarde nos brindamos
Com afeto de quem se adora,
Pois à noite nos amamos,
Insaciáveis de desejo,
Esperando o raiar da aurora!
Quando partes vêm a certeza:
Talvez eu morra sem dizer que te amo!
domingo, 1 de maio de 2011
Minha arrogância pela sua indiferença!
Escrever num dia como hoje, deixar-me-ia triste e enojado! Geralmente deixo um blog para expressar sentimentos diversos de gratidão para com o mundo que me abriga e para com os braços que me acolhem... E posso dizer que são sentimentos de gratidão, pois nada mais teria eu a fazer, senão cultivar a felicidade dentro deste ser! Alguns tantos que me conhecem podem dizer melhor sobre isso... E perguntados sobre mim, dirão que nunca me viram sem um sorriso largo estampado na cara! Num outro eu tento, meio que discretamente, levar um pouco de luz aos que esperam por justiça, em toda a acepção da palavra, num mundo tomado pela alienação social... Expresso meu sonho de não presenciar todos os dias a morte pela fome de milhões de crianças, jovens e adultos!
Aqui eu deveria escrever sem apelos, apenas pelo prazer de escrever...
Mas hoje...
Hoje eu presenciei cenas de ignorância, desafeto, balburdia, desinteresse, cenas que exemplificam exatamente o real perfil do ser humano atual: um ser humano apático, caótico, cego, covarde, deprimente, individualista, cretino, vil, dominado pelo dinheiro, dominado por seu próprio ego, escroto, porco, baixo, dominado completamente pela podridão capitalista que me faz vomitar, esquecido da sua real obrigação enquanto vivo, completamente inserido num chiqueiro de analfabetos alienados...
Pude perceber em questões de minutos, o número enorme de despreocupados que habitam o mesmo espaço que eu... Meus contemporâneos fétidos!
A verdade absoluta é que hoje me dei ao luxo de fechar um pouco a cara, me dei ao luxo de esbanjar minha arrogância, me dei ao luxo de ser antipático, me dei ao luxo de gritar o quanto somos conformados com a desgraça...
Tudo acontece bem próximo, mas quantos acarretam para si a culpa...?
Peço que olhem para o lado e percebam se é mesmo correto o que acontece, se é correto que tanta gente tenha que morrer para que você possa se divertir!
Só tenho a dizer que por fim acabei escrevendo, mas para deixar o meu sentimento de vergonha:
Vergonha de fazer parte da mesma raça em que estão enquadrados todos esses PORCOS IMUNDOS!
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Campos Elísios!
Perdi-me num duelo de Titãs... Ao subir a montanha em busca do crepúsculo encontra-se a morada dos Deuses! Está lá a aventura que lhe falo! Aguarda na mata selvagem a bela Ártemis, inspira-me a sentir o som das aves... “Faça-se o orvalho”! Beira o absurdo a maestria de tais sinfonias e aos olhares solares de Apolo, reina nas frestas dos galhos das árvores o contraste de verde e florescência. O som é de longe o mais vigoroso e, em silêncio, pode-se ouvir o ruído das folhas tostando felizes ao encontrarem luz: “Oh, poesia que me cerca os sentidos”. “Cá estou, cá há vida”! E sussurra à pele, os ventos amenos do vibrante Éolo, que se encarrega de fecundar as belas flores de primavera. Faz reboliço na terra, enlouquece as nuvens no céu, tira o sossego das folhas, põe ritmo à vida ao espalhá-la pela extensão do arco horizontal. Passo o tempo só observando. “Cá estou, cá há vida”. Sublime essa eloquência de aventuras em que me encontrei... A beleza infindável dos cantos e tantos encantos maravilham-me de entusiasmo... Faz a festa de Dionísio a magia da natureza, dando-lhe frescas frutas para o banquete! Bato à porta da doce vida e com uma ode socrática sou venerado, aguardo atento o rumo dos olhos da bela Afrodite e de paixão explode meu peito... Todos, enfeitiçados, derramam oferendas a mil pelas formas suntuosas da deusa musa... “Tenho tudo aqui”... Diante das vestes supremas sou coroado e envolto nos braços de Zeus recebo aplausos pela sabedoria, aguarda-me a justiça terrena enquanto brindo a alegria com os deuses... Faço versos, clamo louvores, indico o caminho do Olimpo! “Cá estou, cá há vida”! Ao subir a montanha em busca do crepúsculo pode-se ouvir uma orquestra imortal e dividir a felicidade com os deuses, pode-se cobrir de beijos a bela Afrodite... Pode-se ficar eternamente perplexo ao sentir a vida brotando feliz nos diversos campos do horizonte! Basta enfeitiçar os pensamentos com amor e deixar reinar as poesias sonoras e visuais regidas por Gaia... Talvez até acompanhar Hermes nos confins do universo, onde o todo e a parte se unem e abrir os olhos para a beleza exuberante que lhe rodeia... Será recebido com graça pela fonte de esperança que acompanha os sonhadores e filósofos, a mesma fonte que enaltece Aquiles, os mesmos mortais que se alegraram na presença dos de vida eterna... Liberte o Deus apaixonado que delira dentro de você!
terça-feira, 26 de abril de 2011
Meu mundo social!
Hoje bati o pé e o Tédio se foi, veio a Alegria e mandei-a embora: tão chata!
Ouço lá fora o Vento me chamando e quando saio, sou ignorado...
Passo pelas Calçadas vazias e escuto sorrateiramente os Passos que me seguem...
Mamãe falou pra eu me proteger do Frio... Peguei um bastão por pura precaução!
Sento-me à mesa marrom com os amigos e todos falam alto; quando escuto alguém, ninguém me escuta...
As lindas e belas garotas da cidade exibem glamurosamente seus olhos apaixonados...
O Amor passa a perna nos frágeis inocentes e começa um ritual melancólico de bebida, cantadas e sexo...
Todos a postos; diversão é o que importa.
Todos a postos; quem não gosta de beber, gosta de transar.
Em pé: quem não gosta de uma transa, adora sorrir com os amigos.
Diversão: quem não gosta dela, fica em casa enojado.
Vamos ali sorrir... Ouvir a Música cantar, presenciar as formas rítmicas do Sábado à noite! Durante o dia ele é irrelevante.
O primeiro a falar naquilo, é o primeiro a conseguir dopamina!
Sentem-se, o show está só começando.
Alguns falam sobre futebol, outros sussurram belas palavras nos ouvidinhos arrepiados das “flores vestidas”.
Outros contam casos, choram mágoas, esperam conforto!
Outros querem apenas sentir os neurotransmissores agindo: sutil, não?
Algumas esquematizam, fazem planos, invejam, esbanjam, cobiçam o garoto alheio!
Os garotos querem chegar, falar o menos possível, beber o máximo, levar a primeira puta que se apresente.
As garotas querem carinho!
As vadias são levadas, bebem no motel, falam futilidades, chegam em casa carentes! Queriam afeto.
Uns idiotas bebem uísque, fazem pose de machões, uma turma aqui e outra ali: pra eles sobram as meretrizes... Menos para os que procuravam garotinhos!
Algum frágil ser sorri e faz com que as garotas se apaixonem... Elas suspiram pela voz do tímido, atentam-se a sua postura, desejam-no como amante numa busca insaciável por carinho!
Cada palavra adorável é um passo a frente, cada suspiro da musa é uma faísca para o desejo...
Nada mais importa na mesa marrom; os garotos, as vadias, os dopaminamaníacos, os idiotas...
Restam os olhares apaixonados, os lábios rosados, os cabelos sobre o rosto, as formas voluptuosas, as faces meigas, o ar febril e o ser disposto a doar afeto...
A Madrugada chega gelada e avisa: momento propício para um romantismo. Tudo perfeito e gentil, como desejavam as flores...
O Som, a Lua, as batidas próximas dos corações, encantam com graça todo o trajeto que a personificação do carinho levou para percorrer.
O Carinho se despede com um beijo, deixa saudade e se esconde até que alguém tente encontrá-lo mais uma vez....
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Uma das formas de amar!
Todos ou quase todos já ouviram falar no “amor platônico”! Atualmente esse amor é atribuído aquele amor distante, em que, duas pessoas se amam, mas estão separadas... Um amor impossível! As pessoas associam até a um amor adolescente por um professor ou um amor que jamais poderia dar certo! Chamam-no "amor de um só"! Mas isso é o que a cultura popular adaptou...
Segundo Platão, o amor que carrega seu nome é a representação do amor verdadeiro, puro e sem malefícios; é a descrição plena da verdade e tem, em sua essência, a beleza do inatingível, a transcrição perfeita do que é desprovido de arrogância, orgulho, inveja, medo, ciúmes, rancor, raiva, ódio, culpa, falência, vilania, temor, desconfiança...
O amor descrito por Platão é baseado num sentimento que exclui o sexo, que desmantela o desejo... Fica em primeiro plano, apenas a pureza do sentir...
É o admirar sem tocar, olhar sem por as mãos, deixar que o sentimento exista sem que ele tome posse da situação, é produzir fagulhas de desejo sem deixar o corpo atear fogo; você ama, mas o sentimento não surta e ele é tão puro e tão belo que nada mais é preciso para consuma-lo; ele já está ali, presente, intacto, acontecendo a medida em que os olhos se olham a poucos metros de distância! O amor por si só, é SUFICIENTE.
Você torna-se apaixonado pela beleza mais profunda característica do amado, mesmo este estando PERTO!
O estado físico pouco importa e todos os outros sentimentos são ignorados... É o amor em sua essência que dá as caras; não existe solidão, não existem mágoas, não existe tristeza... Sabe-se apenas do amor de um em relação com o outro, mas não há contatos, não há fala, apenas o prazer da admiração que passa a ser simples demais pra descrever tamanho amor...
A distância que enfiaram no contexto é uma analogia errônea, porém de fácil aceitação... Se o amor é platônico, tende ele parecer distante, pois se ele for um amor não-platônico, existe o toque, o sexo, em fim, a proximidade em contato.
Platão definiu também o amor socrático, relacionado ao zelo de seu mestre por seus discípulos. Platão deixou seu nome num amor quando descreveu a plenitude deste sentimento...
Você estava bem ali, na frente minha, fingindo dançar, fingindo escutar, fingindo fingir um sorriso. Guiava o acaso como ninguém, esperando por um beijo ou talvez esperando apenas o tempo passar... Talvez quisesse sumir daquela gente toda, sentar no banquinho e deixar a conversar rolar... Talvez quisesse ficar, ser encorajada, ouvir belas palavras e conhecer o moço simpático... Talvez só ouvir, só falar. Quisera eu ser o presente que você esperava. Você estava bem ali e eu soturnamente parado esperando a hora exata... Melhor falar, melhor esperar? Melhor admirar, melhor tocar? Ser platônico ou deixar o amor ter um ciclo?
Talvez você estivesse, indiscretamente, me olhando... Talvez nem tenha reparado minha presença! De maneira que eu, nesse contexto, sou o único amante, o que torna tudo mais belo e admirável! Se o amor é intocável, de beirar o impossível, é ele puro e belo?
Você estava bem ali e eu, pacientemente observava com perfeição os lindos olhos verdes, enquanto os meus, eram refletores dourados dos seus cabelos... Queimava em mim a vontade tocá-la, ouvi-la e coisa e tal, mas valeria a pena trocar o intocável por um prazer momentâneo? O amor é um ciclo de início, meio e fim! No início já termina e o ciclo se encerra...
domingo, 24 de abril de 2011
Ser conivente, conluiado
As portas dessa casa não se fecham! Existe um provérbio chinês que diz que certas posições nos dão certas escolhas que por sua vez originarão certas responsabilidades… Sempre presente em alguns filmes, mas pouco utilizado! É como um cortejo fúnebre para mim: um tédio infindável. Minha arrogância passou por limites absurdos até chegar no ponto alto qualquer que leva à compreensão do todo! Desenhando, exemplificando e dilatando essa idéia caio numa falsidade que gera um estardalhaço com meu próprio propósito: viver!
Ser intolerante não caberia na minha capacidade de adaptação, mesmo sendo um saco ouvir absurdos, inconformidades, asneiras, cretinices, distúrbios, bobagelas, estupros gramaticais, deficiências cerebrais, anormalidades efêmeras, infantilidades que beiram o odor fecal, situações e mais situações que defino deprimentes…
Talvez por odiar qualquer força maior que a humana passou vagamente pela minha ideia, a fragmentação de uma idéia homérica de não temer a nada, ou melhor: desafiar os limites da sobrevivência terrestre. Por mais que nenhum outro ser tenha disposição em entender tamanho fundamentalismo, deixo com essas palavras não um pesar, mas um ar de vitória que me fez nesse momento escrever com o propósito de não me render ao conformismo cultural, emocional e individual que perpetua nas mentes dos frágeis.
A idéia de ser abundantemente feliz e indiferente jamais dominará este ser. Não dá para ignorar a miséria mental em que estão presas todas as pessoas que caminham livres nas calçadas, sorrindo amareladamente e cantando canções felizes sem que reine plenamente a felicidade.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Só mais um pouco de inspiração
Tu buscas inspiração? Percebes o resultado? Encontras paz? Transformas o mundo? Fazes o possível? Floresces tu? Respiras em busca da sobrevida? Arregaças as mangas? Vem comigo e observas o horizonte belo – Perceberás, aqui e ali, que a felicidade reside em todas as frestas deste mundo – Oras, segue-me! Perceberás ali que os pássaros dão vida ao som conturbado das cidades, glorificarás tuas retinas com tal visão, implorarás compaixão da natureza, agradecerás pelo conforto que te acalmas. Verás que no horizonte podes tudo, dirás a mim palavras lindas, olharás o mundo com os mesmos olhos quando perceberes que tudo é belo e estonteante. Admirarás a beleza do conhecimento quando, por pura curiosidade, mergulhares neste oceano de maravilhas... Sentirás o verde e o azul, o doce e o salgado, o frio e o quente, o claro e o escuro, o piano e a guitarra, as borboletas e as joaninhas... Verás que quando passares alguns segundos ao lado de teus pais, depois de tanto tempo passado, brilhará em teus olhos a felicidade mais pura, o conforto agradável, a maestria amorosa de um seio terno. Sentirás beleza nas pequenas coisas, deixarás de lado a pré-ocupação! Olharás somente ao que te agrada, ou melhor, para ti tudo passará a ter importância; mas somente quando perceberes que no horizonte tudo é belo, tudo é fruto da tua importância. Não te preocupes com nada. Transforma em relevância. Só te restará felicidade quando ouvires, vires, sentires, saboreares e aspirares uma única verdade: inspiração! Todos serão belos e se não o forem, verás tu, beleza. Viverás eternamente apaixonado por cada lindo olho que surgir na tua memória e por cada beijo/abraço que te acolher... Inspira-te com esse maravilhoso mundo de boas melodias...
Rodrigo C. Franco
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Reticência feminina...
Algumas ilustres partem... Chegam, vangloriadas, outras tantas personagens. Fogem, partem, mas não saem do lugar. Caminham agitadas, sorriem indignadas, voltam resolvidas, porém não partem em definitivo. Buscam animadas, decididas, apaixonadas, correm contra o vento e percebem que os pés continuam ali, no mesmo local. Passam tantas, faltam muitas, mas não deixam de estar onde estão. Criam as mais incríveis situações inusitadas, definem algum motivo justo e sempre, em qualquer instante, estão apenas necessitando de carinho... Desistem, provocam, insultam e recuperam a paz imediatamente. Dominam com perfeição, enfatizam com maestria, dão vida a vida e fazem-me prazeroso da cabeça aos pés... Criam-me, recriam-me e tiram-me a benevolência, mas não saem do lugar. Escondem-se, participam, imploram e, emocionalmente fragilizadas, expressam as palavras doces de mulher... Aí tudo perde-se e cada palavra que adentra torna-se a chave de todas as expressões femininas. As frases são sentidas, a atenção redobra e a pulsação aumenta. Começam as palavras doces e meigas que farão o ambiente belo e glorioso, pois, dessas bocas surgem as expressões delicadas de mulher... A fragilidade de porcelana encanta-me e tira de mim a calmaria. Justo ouvi-las, entendê-las, senti-las... Deixá-las em pleno conforto... Abraçá-las, tocá-las, conduzi-las à felicidade, levá-las aos céus e trazê-las de volta em segurança, realizando o desejo implícito em todas aquelas frases pedintes que, por todos os motivos possíveis, fizeram-se presentes. As doçuras e meiguices foram exclusivamente criadas para que o desejo fosse realizado... O complexo e simples desejo por carinho, característica fascinante de uma bela flor...
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Ilustração de um beijo
E tu disseste que a ternura era vã,
Ainda assim passaste as mãos entre os fios longos
Que com excelência representam a mais nobre seda egípcia;
Sorriste para emanar a beleza dos teus lábios vermelhos,
Suaves como a lã, doces como o orvalho...
Embora não os tenha tocado,
Jorra em mim a certeza de tal perfeição...
E dos perfeitos lábios teus,
Salta em mim um brilho terno,
Pois disseste que a ternura não tem vida,
E dos perfeitos lábios teus,
Brota em mim a esperança,
Pois cometeste o pior delito,
Quando disseste que, em vida, o carinho é irrelevante;
Deixa, então, que te prove a paixão,
Enquanto observo os lábios teus...
Prossegues tu acompanhada da ternura,
Enquanto eu imploro,
Ansioso pelos lábios teus.
A estática manhã de segunda-feira com um T bem grande
Em alguns certos e ocasionais momentos, tudo parece mórbido e frio, dá vontade fazer tudo, dá vontade fazer nada... Não saem as palavras certas, não há satisfação com as erradas; o tempo passa depressa, mesmo demorando uma eternidade para partir; há calmaria no ar e a calma insiste em desesperar-se; todos passam por mim sem que me atenha a um todo; os sorrisos deixam-me tristonho devido à tamanha felicidade e a tristeza insiste em ir embora... A sombra é tão clara que se faz perder todo o sentido; é caminhar ao sol durante a noite e dedilhar estrelas sob a luz diurna; as palavras não se encaixam, porém insistem em permanecer no papel e mesmo passando-as para uma tela, elas teimam em perder-se no meio do caminho... Não sei se estou alegre, não sei se estou sadio... Não sei quanto tempo falta, tão pouco, quanto tempo já se foi; se vou parecer perdido com um mapa nas mãos, farei isso depois de descansar, mas nem cansado estou... Estou procurando agulhas num agulheiro; sei que parece confuso tudo isso, mas assim faz sentido, pois assim é divertido, mesmo havendo tédio; as portas abertas parecem fechadas e até agora as palavras não chegaram; quero escrevê-las, mas sem lápis ou teclado; quero senti-las, mas sem muita emoção; se alguém bate à porta, que entre, mas não preencha meu espaço vazio; se a janela se abrir, melhor que seja bem pouco! Não quero gripar-me com o vento de fora, então, cá dentro estou eu. Bobagens essas coisas sérias que me fazem feliz, pois é divertido esse tédio; é tranqüila essa agitação; é forte essa fraca conclusão... Estou de partida, embora, não quisesse ir embora; quero demorar e fugir logo, repousar esse corpo para, em pé, caminhar...
Deve ser estática toda essa balburdia; escrever para chegar perto da certeza e tropeçar na insegurança que o fim do texto oferece... São as grades da liberdade forçando a barra mais um pouco...
No entanto tem-se algo para arrancar de toda essa incoerência: a descrição do tédio está bem aqui! Ele é confuso, indomável, intolerante, paradoxal e um tanto quanto simpático quando melancólico...sexta-feira, 15 de abril de 2011
Ansioso por satisfação
Ah, se fosse possível, quereria eu estar ao sol. Ontem, alguns anos depois, passei a noite a delirar; de cinza e com ar pasmado, não refleti mais sobre o tempo...Hoje, algumas horas passadas, aproveito o tempo sob o brilho do astro, componho frases e até arrisco algumas melodias...Amanhã, num momento qualquer, caminharei com a bengala em prontidão; esperando o tempo me levar, arruinando com minha gaita o silêncio dos pardais, desejando, timidamente, esquecer do futuro, acariciando, melancolicamente, o passado, alinhando as unhas aos riscos do calçadão, tirando da boina moedas mágicas a enfeitiçar os caçulas, proseando com os contemporâneos os mais doces provérbios, bajulando as moças que passam, afinando a viola e a viola tentando arranhar, repousando na rede praiana o corpo exausto de um velho sonhador, ouvindo o balanço ruidoso das águas do atlântico....
Posso sentir a brisa oceânica definhando a pele, descendo doce pela goela, a polpa do açaí; posso ouvir dos cavalos, o galopeio; posso atirar-me ao mar sem que haja arrependimentos, pois, desta vida, senti os mais agradáveis prazeres, escrevi os mais belos poemas, produzi as mais harmoniosas melodias, adentrei os castelos mais longínquos, caminhei ao lado dos mais valentes cavaleiros, debrucei sobre seios aconchegantes, sorri como um verdadeiro artista, cortejei todas as belas donzelas e como num sonho de honras feitas, enchi de cores o mundo a minha volta... Agora, ancorado na ilha do amanhã, tento colorir as fantasias que me cercam de amores, desejos e ilusões... Chego a brincar com o passado, gozar com o futuro... Dizer que posso ser jovem e velho ao mesmo tempo... Quebrando as regras do tempo e encurtando a distância entre os mais diversos pontos da minha felicidade...
Presságio
Quando o sol partir, estarei eu a esperar-lhe na calçada;
Você trazendo flores ao vento...
A luz brilhando no reflexo da sua pele,
Pássaros invejando o som da sua voz
E como as gotas em esforço para se encontrarem,
Aguardarei eu encontra-la em abraços,
Ansiando por senti-la
Como rosas às vésperas da primavera
No sonho, como nunca,
É a vida que me persegue
E que se oculta ao acordar
Você com manhas de menina
Esperando pelo beijo
O fim de tarde florescendo...
No sonho, as flores não se espalham;
Você não caiu...
O mar em estardalhaços,
O terno beijo ainda em vigor,
Mas ao acordar tudo era sonho,
Pois no sonho você não partiu
O sol não se pôs...
E a pele ainda faz brilhos;
Ao acordar, não eram as águas,
Tão pouco o sol a comandar a doce/triste sinfonia;
Nada além do ar ofegante,
Pois ao abrir meus olhos, você partia,
Fechavam-se os seus,
Pois no sonho eram só sorrisos
E em vida, um mar de lágrimas
No sonho você sorria,
Não me feria
Bradava com intolerância seu silêncio
Pois no sonho você era viva
Viva não era mais ao acordar....
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