segunda-feira, 30 de maio de 2011

Anseio pelo próximo dia...

A escuridão poderia atormentar meus olhos neste momento, extravasar com meu ânimo... Qualquer dor poderia interromper meus sentidos, quebrar meus ossos, aniquilar qualquer parte deste corpo...
Amedrontem-me com palavras ou lancem-me de vez  ao mar... Acorrentado estaria eu pronto a deitar-me ao leito eterno! Que façam injúrias ao meu respeito, que façam bons proveitos de mim! Desloquem, pois, meus sentimentos inexistentes... Que provem do meu sabor e tirem do amargo da vida tudo que quiserem para aprender...
Maltratem meu espírito, que façam o que quiserem com minha alma inexistente...
Que vocês possam me guilhotinar, que arrebentem com tudo à minha volta! Que despedacem todas as minhas flores no jardim e sussurrem aos meus ouvidos palavras tolas de quem faz juízos!
Que inundem todas as minhas fortalezas e façam o que quiserem com meu vale inexistente...
Sobreponham-me à tristeza...
Atirem flechas ao meu peito ferido...
Derramem meu sangue ao pé da intolerância e ao fazerem de mim um mero defunto, não se atenham ao corpo...

Antes de tudo o que possa fazer de mim um inútil, imploro que me permitam provar da doce respiração, do terno abraço, do perfume, da meiga inquietude, da beleza perfeita que tivera meu olhar por instantes; provar da tépida tez que aqueceu minha face...

Provar aquela proximidade só uma mais uma vez...
Permitam-me que possa tocá-la, senti-la...
Permitam-me que eu fique mudo diante de tamanha beleza...
Permitam-me que a tenha em meus braços e abraços uma vez mais...

Permitam-me, dias restantes!

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