terça-feira, 10 de maio de 2011

Piedosa

Que suma daqui esta dor!
Que mesmo falsa se põe a doer
E em suma pode ser bela
A dor que me faz escrever...

Do leito das salgadas águas
Atingiu-me a vil em penhor,
Flagelou o que era frágil;
Piedosa, clama-lhe a dor!

E em suma dói o que é vão,
Nada faz além de sofrer
Que suma logo vil dor!
Opaca, falsa, voz do perecer.

Do leito de águas doces
Nasce sempre um pouco da dor
É como nomeiam a saudade
Os ímpios donos do amor.

Que suma, feliz Dor!
Que de tão falsa faz-me escrever
E em suma, leve a beleza
Da dor que nos faz viver

Rogo o fim do lamentar,
Menos desta passageira vida;
Da mesma dor que lamento ostentar
Retiro logo palavra sofrida
Que faz ter vida esta dor
Ostento dor e doer
De tão falsa é falso ardor
É o pesar de fazê-la nascer...


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