domingo, 9 de dezembro de 2012

Obs, P.s.


Obscenidade;
Obscena idade
Obscena
Observa a cena
Acena à idade
O bis eleva
Observa e leva
O triz pena
Atriz revela
Obscena.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

(E)lucida.

Vê tu. Teu lábio elucida luz. Quanto mais, cada vez. Cada canto de olhares nus. Olhar é lúdico. Boca é lucidez.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Deslocado.


Se fossem apenas devaneios meus, daqueles que todos têm todos os dias. Despenderia alguns minutos do dia, ali, fantasiando, fundindo idéias, memórias... Definitivamente, passam-se horas e continuo no mesmo lugar; fixo, estático, enraizado nas minhas dúvidas. Geram em mim, essas dúvidas, uma pureza que me desgasta. Faz-me pensar que não sou daqui. A falta de sofrimento é sublime, de fato. Mas não neste tempo.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

(Des)ego

Dar-te-ei o meu.
Dar-te-ei a minha também.
Com todas as minhas, ficarás tu.
Não há de me serem úteis.
Levei a vida aquilatando. Adquiri de tudo.
Minha pra lá, meu pra cá.
Foram tantas vezes, tantos arremates.

- Quais são tuas posses, amigo?
Meus e minhas.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ode à Saudade


Saudade se personificou. Anda por aí, de mãos dadas às minhas... Sempre fala de ti. Insistente, boa companhia, lembra sempre teu perfume, faz rimas simples de poetisa romântica. Quando não, recita ao luar versos de outras bocas, cita sempre tua beleza. Rebelde, de cara pintada, rabisca teu nome pelos cantos, desenha como criança estrelas amarelas. Saudade não come, Saudade não dorme, Saudade não sente frio. Ousa deita-la. Salta aos ventos, sempre sublima teu beijo, revira o quarto noite a fio. Quando não, sopra gaita e sai por aí na tangente da janela. - E janela tem tangente? Saudade é da desordem. Sobe, desce, pula, canta, lampeja, espanta... Lê, faz pausas, sente tua pele, toma café. Não quer saber de tangente. Saudade é expoente, de tão pertinente, seqüestra-me, faz o que é preciso. Faz-me escrever sua Ode. Mas Saudade, onipotente, pode. Ela, na tua ausência, mostra-me teu sorriso.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Maslow!

A pessoa auto-realizadora é dotada da maravilhosa capacidade de contemplar repetidas vezes, de modo renovado e até mesmo ingênuo, as coisas simples da vida, com admiração, prazer, surpresa e até êxtase, mesmo que as outras pessoas vejam essas experiências como corriqueiras. (...) Assim para esse indivíduo, qualquer pôr-do-sol é tão belo quanto o primeiro testemunhado, qualquer flor tem um encanto deslumbrante, mesmo já tendo visto milhares de flores. O milésimo bebê parece um ser tão milagroso quanto o primeiro visto. Mesmo depois de 30 anos de casamento, continua a considerar-se uma pessoa de sorte e a se surpreender, como há 40 anos, com a beleza da esposa, mesmo ela estando com 60 anos. Para essas pessoas, até mesmo o trabalho cotidiano rotineiro ou cada momento do ato de viver pode ser excitante, emocionante e arrebatador. Essas sensações não ocorrem o tempo; elas surgem ocasionalmente e nem sempre, no entanto, nos momentos mais inesperados. A pessoa pode atravessar o rio da balsa dezenas de vezes e na décima primeira travessia reviver intensamente as mesmas sensações a mesma reação diante da beleza e igual excitação como da primeira vez em que pisara na embarcação.

Motivaton and Personality de Abraham Maslow

domingo, 10 de junho de 2012

Odígo

- "É teu lar teu repouso?"
Morada minha são teus sorrisos.
- "O que te agrada, o que te agrada?"
"Dígo!Dígo!" Sorrisos, risos. Gargalhada!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Astrobotânica.

Dos olhares, mostraste o mais direto
Que de longa vida encontra o meu
E convida, refeito, o que é ímpeto, discreto
E com vida, resgata o que é teu


Dos perfumes, fizeste com que eu guardasse
Que todo dia encontra o meu
Convidou-me, rarefeito, ao cabide, que eu entrasse
À camisa, que já não uso, resguarda o perfume teu


Lembranças, meu doce, minha Antares,
Faço dos meus sonhos, relicário
As relíquias, tua fragrância, teus olhares
A camisa, meu eterno boticário.

segunda-feira, 26 de março de 2012

...

Caminha de uma maneira insensata. Uma criação de mentes pasmas sem mobilidade que, futuramente, estarão à beira de um colapso, arruinadas pela própria indiferença. Estarão em tão completo desespero, que suas conquistas concretas de nada serão úteis e, ao bradar inconfundível de suas ignorâncias, lembrar-se-ão do luxo desnecessário que cultivaram, das pobres vidas que sugaram e da compaixão que se quer fingiram nutrir...

quarta-feira, 7 de março de 2012

(Des)Bajulado


Eu as vejo! São obras primas da incerteza, são oásis sem fronteira, sorrateiras, inquietas, são os palcos da beleza, as mais doces aventureiras... Se lhes digo sobre a vida, fazem caos, fazem ventos. Se lhes digo: vamos, venham! Fazem o gosto da minha orgia. Com poema ou sem vida, chegam, sentam e se vão... Faz-se o dia, faz-se a noite, e recebem o descarado desrespeito desleixado declarante.

sábado, 3 de março de 2012

Questão de tempo.

Do entrar ao sair
O tempo se foi num gole
O gole fez mágica num momento
Entro, bebo e sento
Proseio n'outro
Levanto, saio, beijo, aguento

Se lembro arrebato o tempo.

Se esqueço, não lamento.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O vagabundo e a debutante

Com a rosa nas mãos todos os dias,
Entrelaça-se entre falas e pensamentos;
Conta-lhe todas as alegrias,
Apresenta-lhe os mágicos momentos...
Declara seus amores sobre o mundo,
Proclama-se poeta vagabundo...

Ela sente saudade quando é dia
Pensa nas palavras; impaciente põe-se à canto
Embeleza-se ao pé da estrela; sorria!
Faz de debutante seu encanto.
À paixão insensível está fadada
Por outro jovem, brilha enfeitiçada.

De tanto confessar-se à Lua, eterno amante virou. A Lua, uma doce alcoviteira apaixonada.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Bom princípio de ano novo!

Bate à porta teu bom princípio
Ou a pobreza de quem te visita?
É tua ajuda ou rendição?
Vês a destreza do pedinte ou a tristeza no olhar da criança?
É tua nova vida que bate à porta ou a mesmice da vida alheia?
O que vês?
O apelo de quem pede ao conforto de quem doa?
Tua vida luxuosa reduzida ao pico máximo da injustiça
ou o cume da compaixão reduzido à ignorância?
Vês como queres ou como deverias querer?
Os milésimos de segundos da tua atenção ou os últimos segundos do teu luxo?
O que vês?