Saudade se personificou. Anda por aí, de mãos dadas às
minhas... Sempre fala de ti. Insistente, boa companhia, lembra
sempre teu perfume, faz rimas simples de poetisa romântica. Quando não, recita
ao luar versos de outras bocas, cita sempre tua beleza. Rebelde, de cara
pintada, rabisca teu nome pelos cantos, desenha como criança estrelas amarelas.
Saudade não come, Saudade não dorme, Saudade não sente frio. Ousa deita-la.
Salta aos ventos, sempre sublima teu beijo, revira o quarto noite a fio. Quando
não, sopra gaita e sai por aí na tangente da janela. - E janela tem tangente?
Saudade é da desordem. Sobe, desce, pula, canta, lampeja, espanta... Lê, faz
pausas, sente tua pele, toma café. Não quer saber de tangente. Saudade é
expoente, de tão pertinente, seqüestra-me, faz o que é preciso. Faz-me escrever
sua Ode. Mas Saudade, onipotente, pode. Ela, na tua ausência, mostra-me teu
sorriso.
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