segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ode à Saudade


Saudade se personificou. Anda por aí, de mãos dadas às minhas... Sempre fala de ti. Insistente, boa companhia, lembra sempre teu perfume, faz rimas simples de poetisa romântica. Quando não, recita ao luar versos de outras bocas, cita sempre tua beleza. Rebelde, de cara pintada, rabisca teu nome pelos cantos, desenha como criança estrelas amarelas. Saudade não come, Saudade não dorme, Saudade não sente frio. Ousa deita-la. Salta aos ventos, sempre sublima teu beijo, revira o quarto noite a fio. Quando não, sopra gaita e sai por aí na tangente da janela. - E janela tem tangente? Saudade é da desordem. Sobe, desce, pula, canta, lampeja, espanta... Lê, faz pausas, sente tua pele, toma café. Não quer saber de tangente. Saudade é expoente, de tão pertinente, seqüestra-me, faz o que é preciso. Faz-me escrever sua Ode. Mas Saudade, onipotente, pode. Ela, na tua ausência, mostra-me teu sorriso.

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