Se fossem apenas devaneios meus, daqueles que todos têm
todos os dias. Despenderia alguns minutos do dia, ali, fantasiando, fundindo idéias,
memórias... Definitivamente, passam-se horas e continuo no mesmo lugar; fixo,
estático, enraizado nas minhas dúvidas. Geram em mim, essas dúvidas, uma pureza
que me desgasta. Faz-me pensar que não sou daqui. A falta de sofrimento é
sublime, de fato. Mas não neste tempo.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
(Des)ego
Dar-te-ei o meu.
Dar-te-ei a minha também.
Com todas as minhas, ficarás tu.
Não há de me serem úteis.
Levei a vida aquilatando. Adquiri de tudo.
Minha pra lá, meu pra cá.
Foram tantas vezes, tantos arremates.
- Quais são tuas posses, amigo?
Meus e minhas.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Ode à Saudade
Saudade se personificou. Anda por aí, de mãos dadas às
minhas... Sempre fala de ti. Insistente, boa companhia, lembra
sempre teu perfume, faz rimas simples de poetisa romântica. Quando não, recita
ao luar versos de outras bocas, cita sempre tua beleza. Rebelde, de cara
pintada, rabisca teu nome pelos cantos, desenha como criança estrelas amarelas.
Saudade não come, Saudade não dorme, Saudade não sente frio. Ousa deita-la.
Salta aos ventos, sempre sublima teu beijo, revira o quarto noite a fio. Quando
não, sopra gaita e sai por aí na tangente da janela. - E janela tem tangente?
Saudade é da desordem. Sobe, desce, pula, canta, lampeja, espanta... Lê, faz
pausas, sente tua pele, toma café. Não quer saber de tangente. Saudade é
expoente, de tão pertinente, seqüestra-me, faz o que é preciso. Faz-me escrever
sua Ode. Mas Saudade, onipotente, pode. Ela, na tua ausência, mostra-me teu
sorriso.
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