Perdi-me...
Convencer-me-iam desta minha insanidade?
Cá estou com minha analogia em contrastes
Lutando com o nascer para espantar a partida;
E quando saboto a noite, talvez seja a claridade a fazer-me o bem;
Estou meio definhado na impaciência de que os dias passem! Talvez seja eu tão noturno quanto pálido!
Perco-me neste moinho, que como os de Cartola reduzem ilusões a pó – Talvez me caia bem um colo com rosto meigo acalentando minha quietude.
Este desejo que não me abandona, que me consome dia-a-dia! Acampa nos meus afazeres, não falta uma noite: bonito e extenso; é uma chama querendo incendiar a morada da dúvida para que eu parta... Assim, arrasada minha certeza, seguiria eu o norte dos meus pensamentos e encontraria repouso em teu seio.
Dizem que é loucura pensar assim – obcecar-se de prazeres libertinos, tresnoitar-se em copos de vinho – mas é sem querer, é coisa de criança boba, de adolescente apaixonado, de poeta inspirado.
É quando escrever tem graça, quando se alcança um pouco de pureza no horizonte, quando o estar em solo nada significa... Este derrame de sensações que te aquece a face, que te anseia o corpo, que faz balburdia da tua vida...
Pensar assim é convencer-se louco!
Cá estou com meu almoço e janta! Minhas doses de imagens a descartar e controlar o desejo; assim permaneço camponês. Sou teu refém, raposa leviana. Levaste contigo a mais perfeita das minhas seguranças. Levaste minha alma. Abandonaste meu corpo sem rumo.
Por qual nome atendes, mulher? Teu sorriso e teu corpo combatem e competem com lábios, cabelos e palavras dóceis... Uma dúzia de ti ou uma dose?
Sóbrio embebedado não perdi a conta... Faz cócegas este desejo, faz parte da cena, faz parte da melodia, da dança, de toda a busca...
Esta vontade sem fim faz parte até do próximo desejo que virá... O mesmo desejo de antes. A mesma vontade: um pouco mais da tua presença!
Quem desfruta do meu apelo... Faz uso, abusa da mesma devassidão, dos meus e dos teus prazeres...
A ti farei tais versos, só para que mandes em mim... Mandarás com ternura em baianês!
A ti deverei encontrar, e, quando o fizer... Prepara-te! Serás bajulada, acariciada por toda minha emoção libertina, inspiradora e insana.