Perdi-me num duelo de Titãs... Ao subir a montanha em busca do crepúsculo encontra-se a morada dos Deuses! Está lá a aventura que lhe falo! Aguarda na mata selvagem a bela Ártemis, inspira-me a sentir o som das aves... “Faça-se o orvalho”! Beira o absurdo a maestria de tais sinfonias e aos olhares solares de Apolo, reina nas frestas dos galhos das árvores o contraste de verde e florescência. O som é de longe o mais vigoroso e, em silêncio, pode-se ouvir o ruído das folhas tostando felizes ao encontrarem luz: “Oh, poesia que me cerca os sentidos”. “Cá estou, cá há vida”! E sussurra à pele, os ventos amenos do vibrante Éolo, que se encarrega de fecundar as belas flores de primavera. Faz reboliço na terra, enlouquece as nuvens no céu, tira o sossego das folhas, põe ritmo à vida ao espalhá-la pela extensão do arco horizontal. Passo o tempo só observando. “Cá estou, cá há vida”. Sublime essa eloquência de aventuras em que me encontrei... A beleza infindável dos cantos e tantos encantos maravilham-me de entusiasmo... Faz a festa de Dionísio a magia da natureza, dando-lhe frescas frutas para o banquete! Bato à porta da doce vida e com uma ode socrática sou venerado, aguardo atento o rumo dos olhos da bela Afrodite e de paixão explode meu peito... Todos, enfeitiçados, derramam oferendas a mil pelas formas suntuosas da deusa musa... “Tenho tudo aqui”... Diante das vestes supremas sou coroado e envolto nos braços de Zeus recebo aplausos pela sabedoria, aguarda-me a justiça terrena enquanto brindo a alegria com os deuses... Faço versos, clamo louvores, indico o caminho do Olimpo! “Cá estou, cá há vida”! Ao subir a montanha em busca do crepúsculo pode-se ouvir uma orquestra imortal e dividir a felicidade com os deuses, pode-se cobrir de beijos a bela Afrodite... Pode-se ficar eternamente perplexo ao sentir a vida brotando feliz nos diversos campos do horizonte! Basta enfeitiçar os pensamentos com amor e deixar reinar as poesias sonoras e visuais regidas por Gaia... Talvez até acompanhar Hermes nos confins do universo, onde o todo e a parte se unem e abrir os olhos para a beleza exuberante que lhe rodeia... Será recebido com graça pela fonte de esperança que acompanha os sonhadores e filósofos, a mesma fonte que enaltece Aquiles, os mesmos mortais que se alegraram na presença dos de vida eterna... Liberte o Deus apaixonado que delira dentro de você!
quarta-feira, 27 de abril de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Meu mundo social!
Hoje bati o pé e o Tédio se foi, veio a Alegria e mandei-a embora: tão chata!
Ouço lá fora o Vento me chamando e quando saio, sou ignorado...
Passo pelas Calçadas vazias e escuto sorrateiramente os Passos que me seguem...
Mamãe falou pra eu me proteger do Frio... Peguei um bastão por pura precaução!
Sento-me à mesa marrom com os amigos e todos falam alto; quando escuto alguém, ninguém me escuta...
As lindas e belas garotas da cidade exibem glamurosamente seus olhos apaixonados...
O Amor passa a perna nos frágeis inocentes e começa um ritual melancólico de bebida, cantadas e sexo...
Todos a postos; diversão é o que importa.
Todos a postos; quem não gosta de beber, gosta de transar.
Em pé: quem não gosta de uma transa, adora sorrir com os amigos.
Diversão: quem não gosta dela, fica em casa enojado.
Vamos ali sorrir... Ouvir a Música cantar, presenciar as formas rítmicas do Sábado à noite! Durante o dia ele é irrelevante.
O primeiro a falar naquilo, é o primeiro a conseguir dopamina!
Sentem-se, o show está só começando.
Alguns falam sobre futebol, outros sussurram belas palavras nos ouvidinhos arrepiados das “flores vestidas”.
Outros contam casos, choram mágoas, esperam conforto!
Outros querem apenas sentir os neurotransmissores agindo: sutil, não?
Algumas esquematizam, fazem planos, invejam, esbanjam, cobiçam o garoto alheio!
Os garotos querem chegar, falar o menos possível, beber o máximo, levar a primeira puta que se apresente.
As garotas querem carinho!
As vadias são levadas, bebem no motel, falam futilidades, chegam em casa carentes! Queriam afeto.
Uns idiotas bebem uísque, fazem pose de machões, uma turma aqui e outra ali: pra eles sobram as meretrizes... Menos para os que procuravam garotinhos!
Algum frágil ser sorri e faz com que as garotas se apaixonem... Elas suspiram pela voz do tímido, atentam-se a sua postura, desejam-no como amante numa busca insaciável por carinho!
Cada palavra adorável é um passo a frente, cada suspiro da musa é uma faísca para o desejo...
Nada mais importa na mesa marrom; os garotos, as vadias, os dopaminamaníacos, os idiotas...
Restam os olhares apaixonados, os lábios rosados, os cabelos sobre o rosto, as formas voluptuosas, as faces meigas, o ar febril e o ser disposto a doar afeto...
A Madrugada chega gelada e avisa: momento propício para um romantismo. Tudo perfeito e gentil, como desejavam as flores...
O Som, a Lua, as batidas próximas dos corações, encantam com graça todo o trajeto que a personificação do carinho levou para percorrer.
O Carinho se despede com um beijo, deixa saudade e se esconde até que alguém tente encontrá-lo mais uma vez....
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Uma das formas de amar!
Todos ou quase todos já ouviram falar no “amor platônico”! Atualmente esse amor é atribuído aquele amor distante, em que, duas pessoas se amam, mas estão separadas... Um amor impossível! As pessoas associam até a um amor adolescente por um professor ou um amor que jamais poderia dar certo! Chamam-no "amor de um só"! Mas isso é o que a cultura popular adaptou...
Segundo Platão, o amor que carrega seu nome é a representação do amor verdadeiro, puro e sem malefícios; é a descrição plena da verdade e tem, em sua essência, a beleza do inatingível, a transcrição perfeita do que é desprovido de arrogância, orgulho, inveja, medo, ciúmes, rancor, raiva, ódio, culpa, falência, vilania, temor, desconfiança...
O amor descrito por Platão é baseado num sentimento que exclui o sexo, que desmantela o desejo... Fica em primeiro plano, apenas a pureza do sentir...
É o admirar sem tocar, olhar sem por as mãos, deixar que o sentimento exista sem que ele tome posse da situação, é produzir fagulhas de desejo sem deixar o corpo atear fogo; você ama, mas o sentimento não surta e ele é tão puro e tão belo que nada mais é preciso para consuma-lo; ele já está ali, presente, intacto, acontecendo a medida em que os olhos se olham a poucos metros de distância! O amor por si só, é SUFICIENTE.
Você torna-se apaixonado pela beleza mais profunda característica do amado, mesmo este estando PERTO!
O estado físico pouco importa e todos os outros sentimentos são ignorados... É o amor em sua essência que dá as caras; não existe solidão, não existem mágoas, não existe tristeza... Sabe-se apenas do amor de um em relação com o outro, mas não há contatos, não há fala, apenas o prazer da admiração que passa a ser simples demais pra descrever tamanho amor...
A distância que enfiaram no contexto é uma analogia errônea, porém de fácil aceitação... Se o amor é platônico, tende ele parecer distante, pois se ele for um amor não-platônico, existe o toque, o sexo, em fim, a proximidade em contato.
Platão definiu também o amor socrático, relacionado ao zelo de seu mestre por seus discípulos. Platão deixou seu nome num amor quando descreveu a plenitude deste sentimento...
Você estava bem ali, na frente minha, fingindo dançar, fingindo escutar, fingindo fingir um sorriso. Guiava o acaso como ninguém, esperando por um beijo ou talvez esperando apenas o tempo passar... Talvez quisesse sumir daquela gente toda, sentar no banquinho e deixar a conversar rolar... Talvez quisesse ficar, ser encorajada, ouvir belas palavras e conhecer o moço simpático... Talvez só ouvir, só falar. Quisera eu ser o presente que você esperava. Você estava bem ali e eu soturnamente parado esperando a hora exata... Melhor falar, melhor esperar? Melhor admirar, melhor tocar? Ser platônico ou deixar o amor ter um ciclo?
Talvez você estivesse, indiscretamente, me olhando... Talvez nem tenha reparado minha presença! De maneira que eu, nesse contexto, sou o único amante, o que torna tudo mais belo e admirável! Se o amor é intocável, de beirar o impossível, é ele puro e belo?
Você estava bem ali e eu, pacientemente observava com perfeição os lindos olhos verdes, enquanto os meus, eram refletores dourados dos seus cabelos... Queimava em mim a vontade tocá-la, ouvi-la e coisa e tal, mas valeria a pena trocar o intocável por um prazer momentâneo? O amor é um ciclo de início, meio e fim! No início já termina e o ciclo se encerra...
domingo, 24 de abril de 2011
Ser conivente, conluiado
As portas dessa casa não se fecham! Existe um provérbio chinês que diz que certas posições nos dão certas escolhas que por sua vez originarão certas responsabilidades… Sempre presente em alguns filmes, mas pouco utilizado! É como um cortejo fúnebre para mim: um tédio infindável. Minha arrogância passou por limites absurdos até chegar no ponto alto qualquer que leva à compreensão do todo! Desenhando, exemplificando e dilatando essa idéia caio numa falsidade que gera um estardalhaço com meu próprio propósito: viver!
Ser intolerante não caberia na minha capacidade de adaptação, mesmo sendo um saco ouvir absurdos, inconformidades, asneiras, cretinices, distúrbios, bobagelas, estupros gramaticais, deficiências cerebrais, anormalidades efêmeras, infantilidades que beiram o odor fecal, situações e mais situações que defino deprimentes…
Talvez por odiar qualquer força maior que a humana passou vagamente pela minha ideia, a fragmentação de uma idéia homérica de não temer a nada, ou melhor: desafiar os limites da sobrevivência terrestre. Por mais que nenhum outro ser tenha disposição em entender tamanho fundamentalismo, deixo com essas palavras não um pesar, mas um ar de vitória que me fez nesse momento escrever com o propósito de não me render ao conformismo cultural, emocional e individual que perpetua nas mentes dos frágeis.
A idéia de ser abundantemente feliz e indiferente jamais dominará este ser. Não dá para ignorar a miséria mental em que estão presas todas as pessoas que caminham livres nas calçadas, sorrindo amareladamente e cantando canções felizes sem que reine plenamente a felicidade.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Só mais um pouco de inspiração
Tu buscas inspiração? Percebes o resultado? Encontras paz? Transformas o mundo? Fazes o possível? Floresces tu? Respiras em busca da sobrevida? Arregaças as mangas? Vem comigo e observas o horizonte belo – Perceberás, aqui e ali, que a felicidade reside em todas as frestas deste mundo – Oras, segue-me! Perceberás ali que os pássaros dão vida ao som conturbado das cidades, glorificarás tuas retinas com tal visão, implorarás compaixão da natureza, agradecerás pelo conforto que te acalmas. Verás que no horizonte podes tudo, dirás a mim palavras lindas, olharás o mundo com os mesmos olhos quando perceberes que tudo é belo e estonteante. Admirarás a beleza do conhecimento quando, por pura curiosidade, mergulhares neste oceano de maravilhas... Sentirás o verde e o azul, o doce e o salgado, o frio e o quente, o claro e o escuro, o piano e a guitarra, as borboletas e as joaninhas... Verás que quando passares alguns segundos ao lado de teus pais, depois de tanto tempo passado, brilhará em teus olhos a felicidade mais pura, o conforto agradável, a maestria amorosa de um seio terno. Sentirás beleza nas pequenas coisas, deixarás de lado a pré-ocupação! Olharás somente ao que te agrada, ou melhor, para ti tudo passará a ter importância; mas somente quando perceberes que no horizonte tudo é belo, tudo é fruto da tua importância. Não te preocupes com nada. Transforma em relevância. Só te restará felicidade quando ouvires, vires, sentires, saboreares e aspirares uma única verdade: inspiração! Todos serão belos e se não o forem, verás tu, beleza. Viverás eternamente apaixonado por cada lindo olho que surgir na tua memória e por cada beijo/abraço que te acolher... Inspira-te com esse maravilhoso mundo de boas melodias...
Rodrigo C. Franco
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Reticência feminina...
Algumas ilustres partem... Chegam, vangloriadas, outras tantas personagens. Fogem, partem, mas não saem do lugar. Caminham agitadas, sorriem indignadas, voltam resolvidas, porém não partem em definitivo. Buscam animadas, decididas, apaixonadas, correm contra o vento e percebem que os pés continuam ali, no mesmo local. Passam tantas, faltam muitas, mas não deixam de estar onde estão. Criam as mais incríveis situações inusitadas, definem algum motivo justo e sempre, em qualquer instante, estão apenas necessitando de carinho... Desistem, provocam, insultam e recuperam a paz imediatamente. Dominam com perfeição, enfatizam com maestria, dão vida a vida e fazem-me prazeroso da cabeça aos pés... Criam-me, recriam-me e tiram-me a benevolência, mas não saem do lugar. Escondem-se, participam, imploram e, emocionalmente fragilizadas, expressam as palavras doces de mulher... Aí tudo perde-se e cada palavra que adentra torna-se a chave de todas as expressões femininas. As frases são sentidas, a atenção redobra e a pulsação aumenta. Começam as palavras doces e meigas que farão o ambiente belo e glorioso, pois, dessas bocas surgem as expressões delicadas de mulher... A fragilidade de porcelana encanta-me e tira de mim a calmaria. Justo ouvi-las, entendê-las, senti-las... Deixá-las em pleno conforto... Abraçá-las, tocá-las, conduzi-las à felicidade, levá-las aos céus e trazê-las de volta em segurança, realizando o desejo implícito em todas aquelas frases pedintes que, por todos os motivos possíveis, fizeram-se presentes. As doçuras e meiguices foram exclusivamente criadas para que o desejo fosse realizado... O complexo e simples desejo por carinho, característica fascinante de uma bela flor...
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Ilustração de um beijo
E tu disseste que a ternura era vã,
Ainda assim passaste as mãos entre os fios longos
Que com excelência representam a mais nobre seda egípcia;
Sorriste para emanar a beleza dos teus lábios vermelhos,
Suaves como a lã, doces como o orvalho...
Embora não os tenha tocado,
Jorra em mim a certeza de tal perfeição...
E dos perfeitos lábios teus,
Salta em mim um brilho terno,
Pois disseste que a ternura não tem vida,
E dos perfeitos lábios teus,
Brota em mim a esperança,
Pois cometeste o pior delito,
Quando disseste que, em vida, o carinho é irrelevante;
Deixa, então, que te prove a paixão,
Enquanto observo os lábios teus...
Prossegues tu acompanhada da ternura,
Enquanto eu imploro,
Ansioso pelos lábios teus.
A estática manhã de segunda-feira com um T bem grande
Em alguns certos e ocasionais momentos, tudo parece mórbido e frio, dá vontade fazer tudo, dá vontade fazer nada... Não saem as palavras certas, não há satisfação com as erradas; o tempo passa depressa, mesmo demorando uma eternidade para partir; há calmaria no ar e a calma insiste em desesperar-se; todos passam por mim sem que me atenha a um todo; os sorrisos deixam-me tristonho devido à tamanha felicidade e a tristeza insiste em ir embora... A sombra é tão clara que se faz perder todo o sentido; é caminhar ao sol durante a noite e dedilhar estrelas sob a luz diurna; as palavras não se encaixam, porém insistem em permanecer no papel e mesmo passando-as para uma tela, elas teimam em perder-se no meio do caminho... Não sei se estou alegre, não sei se estou sadio... Não sei quanto tempo falta, tão pouco, quanto tempo já se foi; se vou parecer perdido com um mapa nas mãos, farei isso depois de descansar, mas nem cansado estou... Estou procurando agulhas num agulheiro; sei que parece confuso tudo isso, mas assim faz sentido, pois assim é divertido, mesmo havendo tédio; as portas abertas parecem fechadas e até agora as palavras não chegaram; quero escrevê-las, mas sem lápis ou teclado; quero senti-las, mas sem muita emoção; se alguém bate à porta, que entre, mas não preencha meu espaço vazio; se a janela se abrir, melhor que seja bem pouco! Não quero gripar-me com o vento de fora, então, cá dentro estou eu. Bobagens essas coisas sérias que me fazem feliz, pois é divertido esse tédio; é tranqüila essa agitação; é forte essa fraca conclusão... Estou de partida, embora, não quisesse ir embora; quero demorar e fugir logo, repousar esse corpo para, em pé, caminhar...
Deve ser estática toda essa balburdia; escrever para chegar perto da certeza e tropeçar na insegurança que o fim do texto oferece... São as grades da liberdade forçando a barra mais um pouco...
No entanto tem-se algo para arrancar de toda essa incoerência: a descrição do tédio está bem aqui! Ele é confuso, indomável, intolerante, paradoxal e um tanto quanto simpático quando melancólico...sexta-feira, 15 de abril de 2011
Ansioso por satisfação
Ah, se fosse possível, quereria eu estar ao sol. Ontem, alguns anos depois, passei a noite a delirar; de cinza e com ar pasmado, não refleti mais sobre o tempo...Hoje, algumas horas passadas, aproveito o tempo sob o brilho do astro, componho frases e até arrisco algumas melodias...Amanhã, num momento qualquer, caminharei com a bengala em prontidão; esperando o tempo me levar, arruinando com minha gaita o silêncio dos pardais, desejando, timidamente, esquecer do futuro, acariciando, melancolicamente, o passado, alinhando as unhas aos riscos do calçadão, tirando da boina moedas mágicas a enfeitiçar os caçulas, proseando com os contemporâneos os mais doces provérbios, bajulando as moças que passam, afinando a viola e a viola tentando arranhar, repousando na rede praiana o corpo exausto de um velho sonhador, ouvindo o balanço ruidoso das águas do atlântico....
Posso sentir a brisa oceânica definhando a pele, descendo doce pela goela, a polpa do açaí; posso ouvir dos cavalos, o galopeio; posso atirar-me ao mar sem que haja arrependimentos, pois, desta vida, senti os mais agradáveis prazeres, escrevi os mais belos poemas, produzi as mais harmoniosas melodias, adentrei os castelos mais longínquos, caminhei ao lado dos mais valentes cavaleiros, debrucei sobre seios aconchegantes, sorri como um verdadeiro artista, cortejei todas as belas donzelas e como num sonho de honras feitas, enchi de cores o mundo a minha volta... Agora, ancorado na ilha do amanhã, tento colorir as fantasias que me cercam de amores, desejos e ilusões... Chego a brincar com o passado, gozar com o futuro... Dizer que posso ser jovem e velho ao mesmo tempo... Quebrando as regras do tempo e encurtando a distância entre os mais diversos pontos da minha felicidade...
Presságio
Quando o sol partir, estarei eu a esperar-lhe na calçada;
Você trazendo flores ao vento...
A luz brilhando no reflexo da sua pele,
Pássaros invejando o som da sua voz
E como as gotas em esforço para se encontrarem,
Aguardarei eu encontra-la em abraços,
Ansiando por senti-la
Como rosas às vésperas da primavera
No sonho, como nunca,
É a vida que me persegue
E que se oculta ao acordar
Você com manhas de menina
Esperando pelo beijo
O fim de tarde florescendo...
No sonho, as flores não se espalham;
Você não caiu...
O mar em estardalhaços,
O terno beijo ainda em vigor,
Mas ao acordar tudo era sonho,
Pois no sonho você não partiu
O sol não se pôs...
E a pele ainda faz brilhos;
Ao acordar, não eram as águas,
Tão pouco o sol a comandar a doce/triste sinfonia;
Nada além do ar ofegante,
Pois ao abrir meus olhos, você partia,
Fechavam-se os seus,
Pois no sonho eram só sorrisos
E em vida, um mar de lágrimas
No sonho você sorria,
Não me feria
Bradava com intolerância seu silêncio
Pois no sonho você era viva
Viva não era mais ao acordar....
O sorriso do vento de domingo!
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Sinfonia da coragem alheia
E fazer de tudo pelo propósito simples de encantar até atingir os limites em que o noturno, por mais sombrio e frio que se engrandeça, de tão espantoso passe pelo fio da esperança que reina e ainda resta no seu seio...Dá razão a uma verdade dolorosa, a mesma que lhe consome os puros lábios que virão implorando os ternos toques dos meus...É uma doce melancolia cheia de mentiras, mas que traz para si uma bela sinfonia ignorada pelo azedo sabor da sua ingratidão!
Chuva!
Pois explicar a chuva é verbalmente impossível, pelo menos de forma emocional, mas podemos concordar o quão majestoso é olhá-la, deixando o papel umedecedor a cargo do ar; deixando que se faça na terra o mesmo odor que antes nos fez prevê-la; que tal inspirar e correr e deixar cair sobre si a gota; quereria eu estar fora e acalentar-me com esse banho tépido; as formas líquidas, derramadas ao vento, em contato com o calor de quem esteve a ofegar; completo como lavar-se em águas puras e amenas; a dois, porém, estariam as águas a tomarem formas repicadas, esbarradas em beijos tangenciais; estaria a embebedar-me da chuva que se deita, e antes mesmo dos braços estendidos se fecharem...
Dizer estas palavras é ocultar o esplendor de algo que veio e se foi provendo-nos da oportunidade de um infinito prazer... É poupar-nos do vigor vital que estas águas representam; talvez até uma ofensa para com a vida, que jamais poderia florescer sem os banhos quentes ou cristalizados; a terra perderia seu manto e reinaria um ar cortante, deixando sôfregas nossas bolsas; imploraríamos por mais uma queda de vida líquida a fim de esbanjarmo-nos mais uma vez nas gotas que se deitam...
A rosa flor
Deixaste uma rosa na porta de casa
tiraste de mim a calmaria;
fizeste com o caloroso gesto
o que outro jamais havia feito;
em outrora importaria-te com meu silêncio,
mas descarregaste em mim o peso da tua rosa
quando deitaste
junto ao meu berço teus fios;
por ti clamo apenas satisfação,
pois não poderei esperar mais de alguém
que num momento enchera-me de ternura
em outro arrancara dos lábios meus as raízes da compaixão...
e pra não dizeres que não citei a rosa...
Digo-te que esta alegria é pela simples flor que repousaste em meu leito!
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