Todos ou quase todos já ouviram falar no “amor platônico”! Atualmente esse amor é atribuído aquele amor distante, em que, duas pessoas se amam, mas estão separadas... Um amor impossível! As pessoas associam até a um amor adolescente por um professor ou um amor que jamais poderia dar certo! Chamam-no "amor de um só"! Mas isso é o que a cultura popular adaptou...
Segundo Platão, o amor que carrega seu nome é a representação do amor verdadeiro, puro e sem malefícios; é a descrição plena da verdade e tem, em sua essência, a beleza do inatingível, a transcrição perfeita do que é desprovido de arrogância, orgulho, inveja, medo, ciúmes, rancor, raiva, ódio, culpa, falência, vilania, temor, desconfiança...
O amor descrito por Platão é baseado num sentimento que exclui o sexo, que desmantela o desejo... Fica em primeiro plano, apenas a pureza do sentir...
É o admirar sem tocar, olhar sem por as mãos, deixar que o sentimento exista sem que ele tome posse da situação, é produzir fagulhas de desejo sem deixar o corpo atear fogo; você ama, mas o sentimento não surta e ele é tão puro e tão belo que nada mais é preciso para consuma-lo; ele já está ali, presente, intacto, acontecendo a medida em que os olhos se olham a poucos metros de distância! O amor por si só, é SUFICIENTE.
Você torna-se apaixonado pela beleza mais profunda característica do amado, mesmo este estando PERTO!
O estado físico pouco importa e todos os outros sentimentos são ignorados... É o amor em sua essência que dá as caras; não existe solidão, não existem mágoas, não existe tristeza... Sabe-se apenas do amor de um em relação com o outro, mas não há contatos, não há fala, apenas o prazer da admiração que passa a ser simples demais pra descrever tamanho amor...
A distância que enfiaram no contexto é uma analogia errônea, porém de fácil aceitação... Se o amor é platônico, tende ele parecer distante, pois se ele for um amor não-platônico, existe o toque, o sexo, em fim, a proximidade em contato.
Platão definiu também o amor socrático, relacionado ao zelo de seu mestre por seus discípulos. Platão deixou seu nome num amor quando descreveu a plenitude deste sentimento...
Você estava bem ali, na frente minha, fingindo dançar, fingindo escutar, fingindo fingir um sorriso. Guiava o acaso como ninguém, esperando por um beijo ou talvez esperando apenas o tempo passar... Talvez quisesse sumir daquela gente toda, sentar no banquinho e deixar a conversar rolar... Talvez quisesse ficar, ser encorajada, ouvir belas palavras e conhecer o moço simpático... Talvez só ouvir, só falar. Quisera eu ser o presente que você esperava. Você estava bem ali e eu soturnamente parado esperando a hora exata... Melhor falar, melhor esperar? Melhor admirar, melhor tocar? Ser platônico ou deixar o amor ter um ciclo?
Talvez você estivesse, indiscretamente, me olhando... Talvez nem tenha reparado minha presença! De maneira que eu, nesse contexto, sou o único amante, o que torna tudo mais belo e admirável! Se o amor é intocável, de beirar o impossível, é ele puro e belo?
Você estava bem ali e eu, pacientemente observava com perfeição os lindos olhos verdes, enquanto os meus, eram refletores dourados dos seus cabelos... Queimava em mim a vontade tocá-la, ouvi-la e coisa e tal, mas valeria a pena trocar o intocável por um prazer momentâneo? O amor é um ciclo de início, meio e fim! No início já termina e o ciclo se encerra...
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