Pois explicar a chuva é verbalmente impossível, pelo menos de forma emocional, mas podemos concordar o quão majestoso é olhá-la, deixando o papel umedecedor a cargo do ar; deixando que se faça na terra o mesmo odor que antes nos fez prevê-la; que tal inspirar e correr e deixar cair sobre si a gota; quereria eu estar fora e acalentar-me com esse banho tépido; as formas líquidas, derramadas ao vento, em contato com o calor de quem esteve a ofegar; completo como lavar-se em águas puras e amenas; a dois, porém, estariam as águas a tomarem formas repicadas, esbarradas em beijos tangenciais; estaria a embebedar-me da chuva que se deita, e antes mesmo dos braços estendidos se fecharem...
Dizer estas palavras é ocultar o esplendor de algo que veio e se foi provendo-nos da oportunidade de um infinito prazer... É poupar-nos do vigor vital que estas águas representam; talvez até uma ofensa para com a vida, que jamais poderia florescer sem os banhos quentes ou cristalizados; a terra perderia seu manto e reinaria um ar cortante, deixando sôfregas nossas bolsas; imploraríamos por mais uma queda de vida líquida a fim de esbanjarmo-nos mais uma vez nas gotas que se deitam...
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